Página Principal
Artigos e Cases
Artigos Científicos
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA CADEIA DE | Página Principal |
| A Profissão |
| Áreas de Atuação |
| Notícias |
| Eventos |
| Revistas |
| Artigos e Cases |
| Colunas |
| Biblioteca Virtual |
| Clipping |
| Legislação |
| Links |
| Fórum |
| Registre-se |
| Instituições |
| Apresentação |
| Notícias |
| Fale Conosco |
| Apoio Pitágoras |
| Belo Horizonte sediará o XXXI Encontro Nacional de Engenharia de Produção, que será realizado entre 04 e 07 de Outubro de 2011, no Minascentro. O tema da vez é "Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial". Maiores informações em www.abepro.org |
| SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA CADEIA DE |
|
| 14 de setembro de 2008 | |
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA CADEIA DE SUPRIMENTOS – ASPECTOS SOCIOTÉCNICOSMarcelo Rodrigues dos Santos - UFMG, Fundação Dom Cabral e Pitágoras Stéfano Angioletti - UFMG e Fundação Dom CabralMarcelo Peixoto Bax - UFMG Resumo Ao longo dos anos, de maneira surpreendente e crescente, a Tecnologia da Informação (TI) vem suportando atividades mais diretamente ligadas à logística. Inicialmente, apoiando de forma mais simples, a TI passa a fazer parte de todas as etapas do processo logístico das organizações, facilitando a colaboração entre membros a montante e a jusante na cadeia de suprimentos. Entretanto, estudos sobre adoção de tecnologia na cadeia de suprimentos são mais intensamente relacionados às novas tecnologias de informação e comunicação e a seu impacto nos processos de negócios nos canais de distribuição. Propõe-se neste capítulo, uma ampliação dessa análise para refletir sobre os aspectos sociotécnicos relacionados com a implantação de sistemas de informação para planejamento e execução na cadeia de suprimentos. Algumas questões que norteiam a reflexão são: quais são os principais sistemas que compõem soluções de gestão da cadeia de suprimentos? Como estes sistemas são classificados? quais as questões ligadas a pessoas, processos e tecnologia devem ser observadas na implantação de sistemas analíticos? Como a implantação de sistemas analíticos se diferencia da implantação de sistemas ERP? Até que ponto, a implantação de sistemas analíticos interfere na cultura logística da organização, na estrutura organizacional e na estrutura de comando? A luz destas indagações desenvolve-se um estudo de caso, de duas empresas brasileiras, que implantaram sistemas analíticos estratégicos e táticos para a coordenação da cadeia de suprimentos. Os resultados são comparados com resultados obtidos em outra pesquisa realizada em empresas norte-americanas.
1 - INTRODUÇÃO A gestão da cadeia de suprimentos é uma forma integrada de planejar e controlar o fluxo de mercadorias, informações e recursos, desde os fornecedores até o cliente final, procurando administrar as relações na cadeia logística de forma cooperativa e para o benefício de todos os envolvidos (BOWERSOX, 2001). Segundo Ballou (2001), o gerenciamento da Cadeia de Suprimentos requer um gerenciamento do fluxo de informações eficiente e eficaz, e o sistema de informação é um mecanismo pelos quais os fluxos complexos de materiais, peças, subconjuntos e produtos acabados podem ser coordenados para a obtenção de um serviço a baixo custo. A integração bem sucedida de todas as atividades relativas à movimentação de mercadorias, desde o estágio de matéria-prima até o usuário final, aliada a correta utilização da informação, principalmente considerando-se que empresas diferentes possuem também culturas diferenciadas quanto ao seu uso, pode estabelecer vantagens competitivas sustentáveis. Sendo assim, a adoção novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), de forma responsável e estratégica, é reconhecidamente um fator fundamental para a obtenção de sucesso na cadeia de suprimentos. Nenhuma dúvida resta sobre os benefícios advindos da correta aplicação e utilização destes sistemas na coordenação e execução dos fluxos de informação e de bens, a montante e a jusante na cadeia. O avanço surpreendente nas tecnologias de hardware possibilitou ambiente ideal para o desenvolvimento de novas aplicações de software, que através de heurísticas e métodos matemáticos, criaram condições reais para a resolução de problemas complexos envolvendo, por exemplo, otimização de localização, custos de transporte, estoques, produção e capacidade deunidades fabris dentre outros.A internet propiciou ambiente ideal para o desenvolvimento da colaboração entre os membros da cadeia de suprimentos. A aplicação de novas arquiteturas de desenvolvimento de sistemas, baseadas em uso de XML 1 (extend Markup Language) como SOA 2 (Service Oriented Architecture) criam novas perspectivas para a integração de aplicações de sistemas de informação, flexibilização de acesso à funcionalidades, facilitando a colaboração dentre os membros de uma cadeia de suprimentos. Atualmente, várias soluções de sistemas de informação aplicados a gestão da cadeia de suprimentos foram desenvolvidas e se encontram disponíveis no mercado brasileiro de software. Normalmente estas soluções, denominadas soluções para Supply Chain Management, complementam os ERP (Enterprise Resource Planning) com um amplo escopo de funcionalidades de planejamento que 1 XML – Extensible Markup Language: é uma linguagem de marcação padrão que possibilita descrever, armazenar, intercambiar e manipular dados estruturados, conforme World Wide Web Consortion, 2001. Disponível em http://www.w3.org/XML/. Acessado em maio de 2006. 2 A arquitetura que habilita o trabalho com Web Services é chamada de Arquitetura Orientada a Serviços (SOA), que é um estilo de arquitetura que provê o aumento da reusabilidade de software pela criação de serviços reutilizáveis,disponibilizando para as aplicações três características básicas: um serviço de requisição; um serviço de provimento; e um serviço de registro. Conforme WSA W3C working Group Note, 2004. Disponível em <http://www.w3.org/TR/2004/NOTE-ws-arch-20040211/wsa.pdf>. Acessado em setembro de 2006. permitem uma visão intra e inter-empresarial, considerando níveis de decisão estratégico, tático e operacional e diferentes horizonte de planejamento. O mix de aplicações que deve compor a matriz de sistemas de informação a serem utilizados para otimização e colaboração em uma cadeia de suprimentos está diretamente relacionada com o tipo de produto, tipo de negócio e configurações de cadeia que fundamentam os fluxos de bens e informação. Entretanto, estas soluções de software, apesar de extremamente sofisticadas e avançadas, não garantem por si apenas, condições suficientes para garantir o sucesso nem sua aplicação. Grande esforço organizacional e gerencial deve ser dispensado para que as mesmas alcancem o objetivo de maximização de lucros na cadeia de suprimentos. Os processos de negócios precisam ser adequados e uma equipe multifuncional deve ser preparada para visualizar os benefícios da otimização do todo em detrimento da otimização das partes. Muitas vezes, isto envolve uma mudança cultural na organização.O objetivo deste capítulo é apresentar uma discussão sobre a implantação de Sistemas de Informação na Cadeia de Suprimentos, buscando entender os impactos de iniciativas de gestão de mudanças, principalmente considerando a abordagem sociotécnica, sobre a condução de projetos. Propõe-se uma revisão bibliográfica sobre as funcionalidades de soluções de software aplicadas ao gerenciamento da cadeia de suprimentos; Apresenta-se a fundamentação da teoria sociotécnica, teoria da difusão e modelos de gestão de mudanças; Além disso, complementa-se com um estudo de quatro empresas – duas norte-americanas e duas brasileiras, que implementaram soluções de software para gestão da cadeia de suprimentos, e um comparativo final entre os impactos de gestão da mudança. 2 - SISTEMAS DE INFORMAÇÃO PARA A CADEIA DE SUPRIMENTOS Neste tópico busca-se uma descrição sucinta a respeito de Sistemas de Informação aplicados à gestão da cadeia de suprimentos. Para isso, primeiramente estabelece-se algumas classificações de sistemas e se apresenta a matriz de sistemas de informação, pontos estes importantes para a compreensão do papel dos sistemas de informação no contexto de cadeia de suprimentos. Em segundo ponto, discute-se sobre sistemas ERP, WMS e TMS que formam a base operacional de transações através de onde os sistemas analíticos buscarão os dados para operação. Por último, são apresentados os sistemas de planejamento avançado (Advanced Planning and Scheduling), sistemas de Gestão de Demanda e sistemas de gestão de fornecedores. 2.1 Classificação de sistemas de informação para a Cadeia de Suprimentos Para efetivamente entender e aplicar novas tecnologias de informação no gerenciamento da cadeia de suprimentos, as organizações devem distinguir entre a forma e função de sistemas transacionais e sistemas analíticos (SHAPIRO, 2002). Os sistemas transacionais têm foco principal na obtenção, processamento e comunicação de dados básicos sobre o passado e atualidade das operações na cadeia de suprimentos. Trata-se basicamente do registro das operações das organizações sobre suas compras, vendas, produção, manutenções, pagamentos, recebimentos, transações de movimentação de itens, transportes, etc. Os sistemas de ERP apesar de muito abrangentes, concentram a maioria de suas funcionalidades na categoria de sistema transacional. Já os sistemas analíticos são tipicamente Sistemas de Apoio a Decisão (Decision Support Systems DSS) baseados em modelos de decisão para a cadeia de suprimentos. Como exemplo podemos citar: sistemas de sequenciamento de produção, sistemas de gestão da demanda, projeto da cadeia de suprimentos, etc. A tabela 1 a seguir demonstra alguns pontos de diferenciação entre sistemas transacionais e sistemas analíticos: Aspecto de análise Transacional Analítico Do ponto de vista da cadeia de suprimentos existem mais uma classificação de sistema de extrema importância para o entendimento das aplicações de software aplicados a gestão da cadeia de suprimentos: aplicações para planejamento e aplicações para execução. As aplicações de planejamento envolvem o uso de algoritmos avançados para determinar o melhor caminho para completar uma ordem. Enquanto que as aplicações para execução basicamente seguem o status físico das mercadorias, o gerenciamento das informações de materiais e financeiro envolvendo as partes envolvidas (HELO, 2005). Muitos fornecedores de software obedecem esta nomenclatura de planejamento e execução para classificação das funcionalidades de suas soluções. Tipicamente, os sistemas que são apresentados como de execução para a cadeia de suprimentos são os sistemas de ERP, WMS e TMS. Para os sistemas considerados para planejamento, existem algumas interpretações divergentes entre os autores que escrevem sobre categorização de sistemas. Principalmente envolvendo os APS - sistemas de planejamento avançado e sequenciamento. Neste capítulo, consideraremos que os sistemas APS são um como um guarda-chuva de aplicações analíticas que auxiliam na resolução de problemas estratégicos, táticos e até mesmo operacionais. A relação entre as classificações de sistemas analíticos e de planejamento; transacionais e execução é demonstrada na figura 1 a seguir. 2.2 Matriz de Sistemas de Informação para Cadeia de Suprimentos Os sistemas de informação são muito importantes em todo estágio da cadeia de suprimentos, pois permitem que as empresas reúnam e analisem as informações para apoio as decisões. Para melhorar o entendimento e a contribuição destes sistemas no contexto da cadeia de suprimentos, segundo Chopra (2003), pode-se segmenta-los de acordo com os estágios da cadeia nos quais se concentram e com as fases de decisão para as quais serão utilizados.A matriz de sistemas de informação permite a ampla visualização da utilização de sistemas de tecnologias de informação na cadeia de suprimentos. Desta forma, percebe-se que estes sistemas propiciam, quando devidamente aplicados e integrados, a formação de uma grande organização virtual, através da complementaridade das funcionalidades presentes em cada um. Observando o eixo horizontal verifica-se a amplitude de atendimento dos sistemas com relação ao atendimento dos membros da cadeia de suprimentos. No eixo vertical, demonstra-se a o nível de decisões que são abordadas e trabalhadas por cada sistema específico. Entretanto, o posicionamento destes sistemas na matriz de sistemas de informação, reflete apenas um posicionamento didaticamente correto, sendo que estes podem ser encontrados na prática em posições diferentes, dependendo do caso e situação específica da cadeia e da empresa em estudo. Considerando que a gama de funcionalidades deste conjunto de sistemas representado na figura 3 seja bastante abrangente, dificilmente teremos a aplicação de todos estes módulos conforme representado. Apenas empresas muito grandes, inseridas em cadeias de suprimento com nível elevado de complexidade apresentam necessidades que justifiquem a utilização de todos estes módulos em conjunto. 2.3 ERP – Enterprise Resource Planning Os sistemas de gestão empresarial (enterprise resource planning – ERP) podem ser entendidos como uma evolução dos sistemas MRP II, à medida que, além do controle dos recursos diretamente utilizados na manufatura, também permitem controlar os demais recursos da empresas utilizados na produção, comercialização, distribuição e gestão, de acordo com Corrêa apud Souza (2003). De acordo com Vollman (2006), reconhecendo a necessidade de ter uma definição de dados comum, procedimentos compatíveis e padronizados, comunicações eficazes dentro e entre empresas e meios em comum para realização de tarefas, os sistemas ERP foram adotados pelas empresas. Esses gigantescos sistemas de informação são construídos a partir de uma base dados única e fornecem os meios para integrar unidades organizacionais funcionalmente diferentes, geograficamente dispersas e culturalmente diversas em um sistema padrão. Ainda segundo Chopra (2003), reúnem informações de todas as funções empresariais e possibilitama monitoração e acompanhamento de matéria-prima, pedidos, cronogramas de execução, estoquesde produtos acabados e várias outras informações importantes para o gerenciamento logístico da empresa. Sob o ponto de vista da cadeia de suprimentos, estes sistemas podem ser considerados como o sendo coração de uma solução mais abrangente. Isto constata-se justamente pela importância de seus dados para o funcionamento das aplicações de otimização e colaboração necessárias para o gerenciamento da cadeia de suprimentos. Na prática, representa o pano de fundo a integração de transações entre as empresas parceiras e desempenha um papel básico de execução e acompanhamento de atividades nas organizações. Sendo assim, apesar de possuírem escopo muito amplo, não possuem capacidades analíticas para determinar como e quando as transações deveriam ocorrer e, sim, apenas permitem o registro e acompanhamento do ocorrido. A implantação de um sistema ERP envolve uma grande quantidade de tarefas que são realizadas em períodos que variam de alguns meses a alguns anos, e dependem de diversos fatores, como: as dimensões da empresa, a magnitude do esforço de redesenho de processos, a disponibilidade de recursos, etc. Normalmente para que a implantação ocorra com sucesso, uma série de fatores são fundamentais: aderência funcional do software aos processos, apoio da alta direção, metodologia adequada de implantação, escolha e envolvimento da equipe de projeto, situação financeira do fornecedor de software, dentre outros (COLANGELO, 2001). 2.4 WMS – Warehouse Management Systems e TMS – Transportation Management Systems A gestão da cadeia de suprimentos, de acordo com Helo (2005), tem sido em muito auxiliada por sistemas de gerenciamento de armazéns e sistemas de gerenciamento de transportes. Juntamente com o ERP, o WMS e o TMS formam a base de informações para que os sistemas analíticos desempenhem seu papel de suporte a decisão. Como podemos ver na figura 2, sobre a matriz de sistemas de informação, são sistemas extremamente operacionais e diretamente relacionados com a execução das operações. No caso dos WMS, já são utilizados há muitos anos no Brasil e possuem papel estratégico no gerenciamento logístico de armazéns, de forma a impactar diretamente os resultados da cadeia de suprimentos. De acordo com Chopra (2003), o WMS executa comandos de planejamento e gerencia as operações de um armazém. Normalmente disponibilizam informação atualizada sobre o fluxo de materiais dentro de um armazém, assim como rastreabilidade da movimentação e armazenamento de materiais, facilitando a utilização ótima de espaço, mão de obra e equipamentos (Helo and Bulcsu, 2005). São funcionalidades comuns para este tipo de sistema: Manter a posição física e quantitativa de cada item no estoque; Controle o “Shelf Life” (prazo de validade) através de métodos múltiplos; Otimizar as rotas de apanha dos itens; Controlar os Equipamentos internos (automação); Integração com ERP para controle de inventário e relatórios; Controle de acesso ao armazém e da movimentação dos itens; Utilização intensa de técnicas de identificação (padrão EAN para código de barras) e RFID - Radio Frequency Identification. Os WMS são muito utilizados pelas empresas, e normalmente são acompanhados de intensa utilização de tecnologias de automação, rádio freqüência, tags de identificação, leitores de código de barras, etc. Segundo Baker (2007), este tipo de automação é razoavelmente comum em grandes armazéns. Particularmente sobre a tecnologia RFID, de acordo com COHEN (2004), observa-se grande impacto em sua utilização e as empresas estão se movendo rapidamente na adoção de dispositivos baseados nesta tecnologia. Com relação aos sistemas TMS, segundo Helo and Bulcsu (2005), facilitam as cotações de serviços de transportes, o planejamento de curto/médio prazo e a otimização das atividades de transportes, e a execução planos de transporte com análise contínua e colaboração. Tipicamente, disponibilizam funcionalidades como: controle de Gestão de frota; Acompanhamento de tarifas e fretes; Planejamento Otimizado de transportes (matérias primas, entregas de clientes, distribuição / transferências para CDs, coleta de retornáveis); gestão de tarifas de frete; Integração via Web com Transportadoras; Tracking de veículos (satélite e GPRS); Integração com módulos de manutençãode frotas; Plano de carregamento por veículo; montagem de carga (respeitando restrições de combinação); plano de trabalho dos motoristas (de acordo com normas de segurança); restrições de tráfego nas rodovias; restrições de entrega no cliente (horário, local e janela); maximização de utilização da frota; controle de custo com combustível. Eck (2003) cita alguns tipos de atividades que tanto podem ser encontradas em APS para transporte como também podem fazer parte de um TMS. Por exemplo, um TMS poderia disponibilizar funcionalidades que permitissem usar taxas de fretes para otimizar custos de entrega; otimizar o fluxo de materiais inbound e outbound visando redução de custos e buscar a maximização de utilização dos equipamentos; Consolidar cargas e otimizar rotas de entrega, considerando o sequenciamento de entregas e coletas; a partir de pedidos firmes e planejados gerar um plano de distribuição de produtos acabados que seja viável ao menor custo possível. Normalmente, em se tratando de routing, um sistema de TMS apesar de elaborar planos ótimos derotas de entregas, não trabalha com a chamada “last mile”, elaborando apenas planejamentos de entregas baseados em códigos postais. Entretanto, existem aplicações específicas para este tipo de atividade, que são os roteirizadores. Os roteirizadores tipicamente trabalham baseados no seguinte roteiro de atividades: a partir de um conjunto de pedidos, proveniente do ERP ou do WMS, elabora-se a quantidade e tipo de veículos necessários, o horário de partida e de chegada em cada ponto da rota e o percurso a ser feito pelas ruas para que todos os pedidos possam ser entregues dentro de uma janela de atendimento de cada ponto de parada, considerando-se as restrições de trânsito (mão, velocidade e rush) pelo menor custo possível. Pode ser empregado para rotas fixas, mantidas por longos períodos, como as rotas de vendas em que todos os pontos devem ser visitados conforme uma freqüência desejada ou para rotas dinâmicas, criadas especificamente para um conjunto de pedidos do dia, que pode não se repetir mais. O roteirizador é essencialmente um simulador e é usado antes de carregar os caminhões. Após a saída dos veículos as rotas criadas podem ser acessadas por outra ferramenta, como o Controle de Operações (ou Dispatch). Este ferramenta pode comparar o que está sendo executado com o planejado pelo Roteirizador. A atualização dos dados pode ser manual ou automática – se houver equipamento de transmissão a bordo. Para as transmissões de dados pode-se utilizar GPRS em área urbana e satélite em rodovias. A eficácia de um roteirizador é muito maior na área urbana do que na rodoviária pela multiplicidade de escolha de ruas contra poucas estradas. Suas principais funcionalidades são: folha de rota (seqüência e horários de entrega), Percurso (ruas a serem percorridas), Resumo de rotas, Rentabilidade econômica, Ocupação de veículos, Quilometragem, Clientes (dados sobre clientes incluindo horários de funcionamento, dias da semana e instruções especiais de entrega ou coleta). 2.5 Advanced Planning and Scheduling Segundo Eck (2003) os sistemas APS podem ser vistos como um guarda-chuva tecnológico que reúne um grande número de funcionalidades para a gestão da cadeia de suprimentos. Bermudez apud Eck (2003), afirma que as seguintes soluções podem ser identificadas como parte de um sistema APS: Strategic and long-term planning; supply chain network design; demand planning and forecasting; sales and operation planning; inventory planning; supply chain planning; manufacturing planning; distribution planning; transportation planning; production scheduling; shipment scheduling. Chopra (2003) destaca que os sistemas de planejamento avançado tem sido uma das áreas de crescimento mais rápido nos aplicativos analíticos. Estes sistemas criam programação do que deve ser fabricado, onde, quando e como deve ser feito, levando em consideração, ao mesmo tempo, a disponibilidade de matéria-prima, a capacidade da fábrica e outras restrições. O APS também pode abranger as funções de planejamento estratégico da cadeia de suprimento, planejamento de estoque e disponibilidade para atender ao pedido de clientes (available to promise, - ATP). Em geral utilizam algoritmos sofisticados como programação linear e algorítmos genéticos e trabalham com dados de nível transacional coletados por sistemas legados ou ERP.Simchi-Levi (2003) acrescenta que os sistemas de apoio à decisão aplicados a gestão da cadeia de suprimentos, são frequentemente chamados de Sistemas Avançados de Planejamento e Sequenciamento (APS – Advanced Planning and Scheduling). Estes sistemas geralmente cobrem as seguintes áreas: Planejamento da demanda, planejamento de suprimentos e planejamento/ sequenciamento da produção. A partir de informações quantitativas disponíveis em outros sistemas para ilustrar diversas soluções possíveis, permitem aos usuários determinar qual a mais apropriada para o contexto em análise. A inteligência artificial também é bastante empregada no projeto destes sistemas. Não existe um consenso sobre todas as funcionalidades possíveis de um sistema APS, isto se constata na literatura e mesmo dentre os fornecedores de soluções, que tem módulos específicos e com abrangência diferenciada. Desta forma, este texto trata estes sistemas em duas categorias básicas: Sistemas de planejamento avançado de nível estratégico e Sistemas de planejamento avançado de nível tático. Vale ressaltar que não há pretensão neste texto de resolver a questão de classificação deste tipo de sistema. 2.5.1 Sistemas de planejamento avançado de nível estratégico São sistemas que permitem análises de longo prazo, relacionadas com decisões que envolvem investimentos estratégicos de configuração de estrutura e capacidade da malha logística que forma a base para funcionamento da cadeia de suprimentos. Exemplo: Supply Chain Network Design. Este tipo de solução visa à otimização de recursos através da rede de localizações de fornecedores, clientes, fábricas e CDs. Análises what-if podem ser realizadas para testar o impacto das decisões de abrir novas, mover ou fechar unidades nos lucros e nível de serviço da rede. Também podem determinar soluções ótimas de localização. Estas aplicações são utilizadas na maioria das vezes para encontrar um equilíbrio entre avançar com estoques na rede ou manter custos com transportes. (ECK, 2003). Este tipo de reflexão pode alterar de forma significativa o resultado de uma empresa, já que trata do fundamento do negócio na sua estratégia. A estrutura operacional da empresa vai atuar melhor ou pior desde que esteja preparada adequadamente. Para isso o projeto da Cadeia de Suprimentos deve ser muito bem elaborado e é para isso que se utiliza este tipo de sistema. As seguintes respostas podem ser suportadas por estes sistemas: Sobre a quantidade de instalações e sua localização; Quem abastece cada CD ou de que unidade será preferencialmente abastecida cada unidade de estocagem; Sobre transportes: definição sobre o tipo de modalidade e, em caso de mais de uma modalidade disponível, qual percentual será dado a cada uma; Seleção de fornecedores; Qual deve ser o mix de produtos a ser produzido em cada unidade logística: fábrica, CD ou armazém; Como devem ser executados os planos de expansão de mercados; Como prever o impacto da entrada de um concorrente; Estudos sobre impacto macro econômicos: variações cambiais, inflação, mudanças em impostos ou término de incentivos fiscais; Estudos sobre fechamento ou abertura de unidades; Estudos sobre aquisições ou fusões com outras empresas. 2.5.2 Sistemas de planejamento avançado de nível tático Auxiliam na utilização ótima da estrutura logística e produtiva da cadeia de suprimentos para atendimento da demanda. Ou seja, uma vez determinados os recursos logísticos da cadeia de suprimentos, incluindo capacidades de fábricas, armazéns, meios de transportes e restrições diversas, busca-se a forma de alocação ótima da estrutura. Este procedimento pode ser direcionado pela minimização de custos, maximização de lucros, em atendimento a nível de serviço especificado. Exemplo: Planejamento da produção, planejamento de distribuição, planejamento de transportes, planejamento de materiais e S&OP. Tipicamente, esses sistemas utilizam boa parte dos dados oriundos do ERP, tais como níveis dos estoques de produto acabado, matéria-prima, carga das linhas de produção, capacidade de produção, transporte e armazenagem, custos de produção, set up de linhas, carregamento de estoques, taxas e impostos, além de penalidades e limites contratuais. Mas, ainda assim, são necessários dados que devem ser obtidos através de estudos especiais e, muitas vezes, esses dados devem ser atualizados periodicamente através de sistemas especiais. As equipes encarregadas de utilizar estes tipos de sistemas são de alto nível acadêmico e devem atuar em toda a empresa já que determinam planos para quase todas as unidades operacionais. Dentre as várias funcionalidades cobertas por estes sistemas, pode-se destacar: Modelam toda cadeia logística, tratando de todos os elementos e dos fluxos de produtos e materiais; Determinam como cada unidade da Cadeia de Suprimentos deve operar dentro do horizonte de planejamento; determinar se a demanda prevista será atendida de forma satisfatória visando a obtenção de lucro. Ainda nesta categoria poderíamos classificar os APS destinados ao planejamento, controle e execução de produção. De acordo com Corrêa (2001), estes sistemas auxiliam as organizações nas atividades de sequenciamento de ordens de produção, permitindo criar programações diárias ótimas de produção. Para isto, baseiam-se em modelos matemáticos e heurísticas que possibilitam a busca de seqüências de ordens que minimizam estoques em processo, ou minimizam custos, ou maximizam o atendimento de ordens dentro do prazo, levando em consideração todas as restrições do processo em estudo. Considerando a dinamicidade atual das áreas de planejamento e programação de produção em alguns seguimentos, pode-se afirmar que os sistemas de sequenciamento são fundamentais para manutenção dos níveis de serviço das organizações. 2.6 Sistemas de gestão da demanda e gestão de receitasDe acordo com Simchi-Levi (2003), trata-se de aplicativo que permite a determinação de previsões precisas baseadas em dados históricos e na compreensão dos padrões de compra dos clientes. Modernamente, este processo envolve, também, a colaboração de forma a propiciar uma consolidação de opiniões a respeito de previsões específicas. Sob o mesmo teto do planejamento da demanda, alguns aplicativos consideram também o aspecto de gerenciamento da receita. O gerenciamento da receita lida com a diferenciação de preços para maximizar a quantidade de clientes adicionais que se pode conquistar a partir das vendas de produtos. Os sistemas de planejamento de demanda podem auxiliar nos níveis estratégico, tático e operacional e, de acordo com Chopra (2003), são baseados em modelos qualitativos, séries temporais, causais e simulação. De uma forma geral, as ferramentas disponíveis no mercado implementam estes modelos, utilizando dados oriundos de sistema ERP, colaboração e dados diretos de pontos de venda. Históricos de vendas extraídos do ERP (módulo de faturamento). Com esses dados devidamente organizados e filtrados, os sistemas geram projeções matemáticas que consideram a sazonalidade, padrões de repetição e padrões assimétricos, utilizando métodos matemáticos e combinando métodos de avaliação.Dados oriundos de colaboração. Neste método, são utilizadas informações sobre o comportamento do mercado obtidas através das equipes de vendas, equipes de marketing, clientes chaves e pesquisas. Neste caso as projeções buscam o futuro para prever o futuro e usam métodos de observação de quantificam o que acontece no momento atual contando ainda com informações sobre fator reais que ainda acontecerão. Projeções baseadas em dados do ponto de vendas. Este método utiliza as informações obtidas nos sistemas de Ponto de Vendas (PDV). Supermercados e Caixas Eletrônicos são sistemas típicos deste método que se caracteriza pelo comportamento em tempo real. Estas informações são usadas para gerenciar compras e ordens de abastecimento para negócios de alta rotatividade e rápido giro de estoques tais como supermercados e bancos. A origem dos dados deve ser definida através da interpretação do negócio. Empresas que vendem produtos de consumo e de baixo custo em larga escala combinam o método histórico com o de colaboração. Empresas que atuam no varejo combinam o método histórico e PDV. Esses sistemas requerem o manuseio de grandes volumes de dados e de sistemas de hardware mais robustos. Sua administração é mais complexa e exige a presença em tempo integral de uma equipe com formação de administração de sistemas da informação e pessoal de logística. Essa equipe deve lidar com os segmentos de vendas e produção das empresas. 2.7 SRM – Supplier Relationship Management Uma vez que as empresas reconhecem suas bases de fornecimento como arma competitiva, os investimentos em tecnologia para sistemas de SRM tornam-se mais que importantes pois podem garantir a transformação da cadeia de suprimentos em direção ao sucesso. Herrmann and Hodgson apud Choy (2002), definem SRM como um processo envolvido no gerenciamento de fornecedores estratégicos, que encontra suas bases na redução de custos através de compras repetitivas e previsíveis, agrupamento de experiência de compradores e busca de benefícios nos relacionamentos com fornecedores. O foco está normalmente na maximização de valor da base de fornecedores de fábrica pelo provimento de um conjunto holístico e integrado de ferramentas de gerenciamento focadas na interação do fabricante com seus fornecedores. Sua aplicação na cadeia de suprimentos pode prover significante vantagem competitiva através da agregação de valor em três áreas básicas: redução de custos, aumento da flexibilidade e tempo de reposta para requisitos de clientes e aumento substancial nos tempos de ciclo. Os sistemas de SRM atuam nos níveis do planejamento tático e operacional e algumas de suas funções podem ser encontradas nos módulos de suprimentos de sistemas ERP mais avançados onde se pode incluir as cláusulas dos contratos firmados com cada fornecedor, regras de reabastecimento, integração digital com fornecedores entre outras funções. A partir dos parâmetros estratégicos definidos no projeto da Cadeia de Suprimentos e dos planos de abastecimento desenvolvidos pelo APS, esses sistemas vão operar de forma atender às oscilações de demanda e maximizar a tarefa de abastecimento. A colaboração no contexto de um SRM é parte fundamental. A possibilidade de troca eletrônica de dados entre clientes e fornecedores fornece condições ótimas para a redução de custos, prazos, minimização de erros de processos, redução de atividades operacionais entre os parceiros envolvidos. O EDI (electronic data interchange), Web EDI, técnicas de VMI (Vendor ManagementInventory) e SMI (Supplier Management Inventory) também fazem parte do contexto de soluções de SRM. Muito embora grande parte do interesse dos SRM esteja centrado em fornecimento de matérias primas estratégicas para a organização, os materiais indiretos, relacionados com produtos e serviços para manutenção, reparo e operação (MRO), também se constituem atualmente fonte de preocupação para as organizações. Neste contexto, sistemas de e-procurement são essenciais para o apoio das empresas na gestão da cadeia de suprimentos. De acordo com Puschmann (2005), o e-procurement permite a descentralização de processos operacionais de compras e a centralização de processos de compras estratégicos. Conforme demonstrado na figura 3, as ferramentas de e-procurement proporcionam uma redução das tarefas operacionais relacionadas com o processo de compras, de forma a possibilitar o incremento de esforço da equipe em processos de compras estratégicos da organização. Figura 3 – Efeitos do e-procurementFonte: (PUSCHMANN, 2005) A principal idéia do e-procurement é incluir o usuário final (requisitante) no processo de compra via um catálogo eletrônico através de utilização de tecnologia web. Baseado em leilões reversos, consegue efetivamente potencializar a obtenção de ganhos financeiros nos processos de cotação, assim como agilizam o processo interno de compras. Esses processos, pela ausência de contatos humanos, tornam-se inclusive mais transparentes e confiáveis. Observa-se na prática que a eficácia Compras Estratégicas Gestão de Fornecedores Gestão de Fornecedores Compras Estratégicas Maximizar Minimizar Maximizar Funções Operacionais Funções Operacionais Redução de funções operacionais Suporte para funções estratégicas importantes Página 13 de 29 de uma iniciativa de e-procurement tem aumento considerável quando existe integração com um sistema ERP. Por fim, constata-se que os processos de implementação de ferramentas de eprocurement são projetos normalmente caracterizados por rápido retorno sobre o investimento. 3. IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO PARA A CADEIA DE SUPRIMENTOS E IMPACTOS SOCIOTÉCNICOS Existe atualmente um grande número de publicações acadêmicas e projetos empresariais que buscam entender melhor os impactos da Implantação de Sistemas de Informação nas organizações. Esta preocupação se justifica, na medida em que estes projetos normalmente causam mudanças em boa parte da estrutura das organizações e, em última análise, podem significar bons resultados econômicos ou, do outro lado, a própria sobrevivência da organização. Entretanto, de acordo com Dryden (1998), empresas reportaram, em média, perdas de US$5 Milhões com problemas relacionados com implantação de Sistemas de Informação. O que se verifica na prática é que muitos destes problemas são relacionados com mudanças de processos organizacionais, mudanças nas rotinas de trabalho, resistência de pessoas envolvidas, falta de capacitação da equipe e outros motivos que extrapolam a parte de Tecnologia da Informação destes projetos. Sendo assim, pode-se observar que os projetos de implantação de Sistemas de Informação envolvem esforço em atividades que não se classificam apenas no contexto tecnológico. De acordo com Laudon (1999), os Sistemas de Informação são sistemas sociotécnicos, que envolvem a coordenação de tecnologia, organizações e pessoas. Assim, a tecnologia mais avançada de computação é essencialmente sem valor, a menos que as empresas possam fazer uso dessa tecnologia e a menos que os indivíduos se sintam à vontade ao usá-la. Nesta linha de pensamento, busca-se nesta parte do capítulo, uma compreensão de algumas teorias que fundamentam as práticas de gestão de mudanças em projetos de Sistemas de Informação, de forma a procurar criar um arcabouço teórico para possibilitar a análise dos casos de empresa que seguem. Sendo assim, apresenta-se inicialmente a fundamentação da teoria sociotécnica, logo a seguir discute-se sobre a teoria da difusão e finaliza-se com a apresentação de dois modelos que baseiam as práticas de gestão de mudanças. 3.1 - Teoria Sociotécnica Segundo De Biazzi (1994), a história da Teoria Sociotécnica tem seu início nas minas de carvão da Inglaterra a partir de estudo realizado por pesquisadores do Tavistock Institute of Human Research entre 1949 e 1955. As empresas estatais inglesas, responsáveis pela operação da maior parte das minas naquele país, buscavam aumentar a produtividade através da introdução de novas técnicas de lavra subterrânea. Para isso, estavam sendo dados os primeiros passos no sentido da mecanização do processo, através da utilização de máquinas de escavação e perfuração. O desafio tecnológico dos gestores das empresas não era menor que o desafio de gerenciar a mudança nos hábitos e costumes dos operários e supervisores, afinal a Inglaterra operava minas de carvão há aproximadamente 250 anos e todo o conhecimento era passado de geração a geração. Os pesquisadores, após acompanhar os trabalhos de introdução das novas técnicas de lavra e os primeiros resultados após 5 anos concluíram que para o sucesso do projeto de mecanização do processo, foi necessária uma grande mudança nas relações de poder entre supervisão e operários e também entre equipes operacionais e a alta gerência. Por haver uma grande necessidade de aumento Página 14 de 29 de produção logo após a segunda grande guerra, não havia o perigo de haver demissões de operários com a introdução de novas tecnologias, mais produtivas. Entretanto, os planejadores que criaram o projeto de modernização do processo de lavra não observaram o impacto das novas tecnologias na organização do trabalho e nas relações trabalhistas, internas e externas mantendo os mesmos parâmetros organizacionais que antes eram utilizados: turnos de 8 horas, remuneração individual e seqüência de trabalho determinada pelo planejamento central com pouco ou nenhum envolvimento dos operários e supervisares. Inicialmente os resultados foram péssimos. As máquinas não atingiam as métricas propostas e a produção literalmente não saia. O desgaste com a nova tecnologia levou algumas minas a voltar atrás com a nova tecnologia. Entretanto, verificou-se que uma das minas da região apresentava, após 3 anos de problemas, resultados operacionais excelentes com indicadores sociais muito melhores que as demais minas que passavam pelo mesmo processo. Ao estudar detalhadamente os resultados desta mina observou-se, de acordo com De Biazzi (1994), os seguintes fatores: No primeiro momento, a nova tecnologia trouxe os mesmos impactos e problemas das outrasminas: baixa produtividade e problemas sociais graves com elevado absenteísmo e acidentes de trabalho; A mina chegou a interromper suas atividades por falta de liderança no nível gerencial, incapazde gerenciar aquela mudança; Houve então uma mudança de paradigma: a área de planejamento central não determinavadetalhadamente as tarefas dos operários e a seqüência de trabalho. Ela se limitava a definir quais blocos de minérios deveriam ser lavrados e em que seqüência; As equipes passaram a se organizar em grupos de 40 operários que recebia uma frente detrabalho para ser lavrada utilizando os novos métodos de lavra. Cada grupo era organizado em sub-grupos que realizavam todas as tarefas mantendo a seqüência detalhada do trabalho; A remuneração era igual assim como os incentivos e prêmios para todo o grupo; A avaliação do trabalho e o planejamento das tarefas eram feitos de forma autônoma pelosgrupos, e buscavam atender às metas propostas pelo planejamento central. Os resultados operacionais desta mina foram superiores a todas as metas inicialmente estabelecidas. Além disso, verificou-se uma melhoria significativa em indicadores tipicamente sociais como: redução do absenteísmo e taxas de acidente de trabalho. Outro aspecto observado foi a melhoria nas relações entre sindicato e empresa já que os operários se sentiam mais motivados com as novas tarefas e o novo ambiente de trabalho. Este estudo foi um marco para a sociologia das organizações. As conclusões deste caso tendo como base De Biazzi (1994) podem ser assim organizadas: Tecnologia e a organização social: uma organização de trabalho não é determinada apenas pelastecnologias adotadas. Ela será influenciada também pelo conhecimento técnico dos seus membros, das premissas adotadas para o trabalho e dos objetivos estabelecidos, sejam eles explícitos ou não; Administração científica: cabe aos planejadores envolver os operários no planejamento dastarefas e do trabalho em geral, devendo evitar que o trabalho seja determinado apenas por métodos científicos; Deve-se buscar o equilíbrio das relações através da máxima igualdade entre os membros daequipe de trabalho; Página 15 de 29 A interação entre técnica e ambiente de trabalho deve ser considerada evitando-se oestabelecimento de regras estritas dando espaço a auto-regulação; É possível atingir o mesmo objetivo através de diferentes caminhos. Para isso a organizaçãodeve ser aberta. Finalmente, a escola sociotécnica propõe que os sistemas técnicos e os sistemas sociais sejam trabalhados em conjunto e tenham seu desenvolvimento otimizado, levando em consideração tanto aspectos técnicos quanto humanos, buscando atingir um objetivo externo único. Especificamente em projetos de implantação de Sistemas de Informação, a tecnologia da informação, as organizações e os indivíduos passam por vários processos de ajuste e descoberta mútuos, e tomam novas formas, à medida que os sistemas de informação são estudados nas empresas. “Em um sistema, tecnologia, organizações e pessoas devem cooperar e ajudar-se mutuamente para otimizar o desempenho do sistema completo. Os três elementos se ajustam e se modificam ao longo do tempo” (LAUDON, 1999). 3.2 - Teoria da difusão A teoria da difusão é muito utilizada para aumentar o grau de adoção de novas tecnologias pelas organizações (RUSSELL, 2004) o que é idêntico à adoção de Sistemas de Informação. Segundo a teoria da difusão a dificuldade em adotar uma nova tecnologia está muito mais baseada em questões sociais e de comunicação do que em questões técnicas ou econômicas. A difusão de uma inovação dentro de uma organização depende da interação de fatores culturais e de padrões de comunicação adotados pela organização. Willians e Rao (1998) foram os primeiros a organizar a teoria da difusão no sentido de criar um método de gestão da mudança para implantação de Sistemas de Informação na gestão da cadeia de suprimentos. Para isso, estabeleceu-se um padrão de análise organizado de forma a medir o nível de adoção de um SI como um processo de inovação. Este padrão é organizado em quatro fatores que combinados sugerem o nível de adoção de uma inovação e permitem melhorar a gestão do processo de mudança. Vide figura 4 a seguir. Figura 4 – Modelo de Difusão Fonte: Adaptado de (RUSSELL, 2004) Percepção dos atributos da Inovação: • Vantagem relativa (+) • Compatibilidade (+) • Complexidade (-) Fatores organizacionais: • Centralização das decisões (-) • Abertura à inovação (+) • Estrutura organizacional (+) Canais de comunicação: • Formalização (+) • Intensidade de recursos (+) Liderança: • Comprometimento (+) • Suporte (+) • Líderes internos (+) Nível de Adoção Página 16 de 29 Os quatro fatores que compõem o modelo se somam para determinar o que se denomina de “nível de adoção da nova tecnologia” o que corresponde a medir se um sistema de informação que for adotado por uma empresa terá sucesso ou não na sua implantação quanto aos fatores humanos e sociais. Os quatro fatores são: Percepção dos atributos à inovação; Fatores organizacionais; Canais de comunicação; e Liderança. O fator percepção dos atributos à inovação determina a capacidade da empresa e seu grupo de pessoas de perceber a inovação e aceitá-la de forma correta. Para isso, são analisados na literatura vários atributos que influenciam na percepção da inovação. Entretanto, Tornatzky e Klein (1982) selecionam três pontos principais: vantagem relativa; compatibilidade; e complexidade. A vantagem relativa é a percepção de que o novo sistema trará vantagens sobre o sistema ou modelo de trabalho atual, ou seja, mais eficiente, mais rápido ou mais econômico. A compatibilidade é a percepção de que a inovação trazida pelo novo sistema está de acordo com os valores existentes, experiências e necessidades da empresa. E por último, a complexidade trata do grau com que a inovação é percebida como complexa pelos usuários e pessoas que dará suporte. Vale ressaltar que segundo os autores, a compatibilidade e complexidade têm maior influência do que a vantagem relativa. E ainda, os atributos de vantagem relativa e compatibilidade devem ser maximizados enquanto a complexidade deve ser minimizada. Com relação aos fatores organizacionais, a cultura e a estrutura de uma empresa – fatores organizacionais mais importantes – podem impedir de forma sumária um processo de inovação. Para medi-los os autores propõem três atributos: Centralização, abertura a inovação e estrutura organizacional. A centralização é o grau em que as decisões são tomadas em uma organização por apenas um pequeno grupo de pessoas com enorme poder e que, da mesma forma controlam a maior parte das ações. A abertura a inovação é o grau de relacionamento externo a empresa tem como outras entidades e empresas ou pessoas em busca de novas formas de trabalho que possam contribuir com a empresa. A estrutura organizacional é o grau de comunicação entre os diversos departamentos de acordo com o fluxo necessário para que a comunicação aconteça. Segundo Tornatzky e Klein (1982) este fator e seus atributos sugerem que quanto maiores forem a abertura a inovação e o nível de comunicação entre os departamentos da empresa tanto menor será a centralização o que contribui para um bom ambiente organizacional facilitando os processos de inovação. Sobre os canais de comunicação os autores mencionados concordam com a importância da comunicação para a difusão da inovação dentro das empresas. Seja a comunicação inter-pessoal seja a comunicação através dos meios da mídia, é a boa e bem planejada utilização que pesam de maneira importante na difusão da inovação. A comunicação inter-pessoal é exercida através de cursos curtos, aconselhamento, treinamento um a um e até mesmo através de influenciadores na empresa. Já os meios podem se estender desde correio eletrônico, intranet, murais e outras tecnologias que denotam o contato não sincronizado e de massa. Os atributos de avaliação da comunicação são a formalização e intensidade de recursos. A formalização denota o grau de planejamento e execução que um plano de comunicação acontece quando a difusão da inovação. É necessário que todos os eventos, recursos e temas sejam devidamente planejados e que todo o processo seja controlado formalmente. A intensidade de recursos é o esforço empregado para definir e cumprir todo o planejamento de comunicação. Durante um processo de inovação, devem ser monitoradas as principais reações das pessoas envolvidas. Erros ou mal entendidos devem ser esclarecidos e comunicados rapidamente evitando-se assim a proliferação de uma versão incorreta (fofoca) dentro da organização. Só é possível agir rapidamente se houver um bom plano e recursos suficientes para comunicação. Página 17 de 29 Por último, sobre o fator liderança, considera-se seu papel em um processo de inovação como sendo de grande importância, mas que deve ser associado não só às lideranças mais altas da estrutura da organização, mas também às lideranças intermediárias que controlam a maior parte das ações internas nas empresas. Por isso, além de bem orientadas e preparadas, as lideranças devem considerar o envolvimento intenso de líderes intermediários na organização. Os atributos importantes para a liderança são: comprometimento, suporte e líderes internos. O comprometimento é a percepção do comprometimento da alta liderança com o processo de mudança. Sempre ocorrerão problemas durante um processo o que sem o compromisso da alta liderança, não seria possível sua recuperação e o processo se perderia. O suporte é à disposição de recursos para o processo ao longo de toda a organização. Treinamento, pessoal técnico, pessoal de apoio entre outros recursos são fundamentais como suporte ao processo de inovação. E os líderes internos são aquelas lideranças que tem a confiança dos demais e que podem influenciar todo o projeto. É fundamental tê-los ao lado do processo de inovação. Cabe notar que em uma implantação de sistemas de informação para a gestão da cadeia de suprimentos, toda a empresa será afetada assim como seus clientes e fornecedores. Por isso a liderança tem um papel importante para direcionar todos os esforços para o sucesso do processo. A teoria da difusão propõe um método de avaliação da adoção de uma inovação. Os quatro grandes grupos de avaliação serão revistos a seguir quando avaliarmos os quatro casos de implantação de Sistemas de Informação aplicados a Gestão da Cadeia de Suprimentos. Os resultados alcançados por cada caso serão avaliados de acordo com o nível de adoção da inovação. Além disso, busca-se avaliar as dificuldades encontradas por cada um dos projetos de acordo com as escolhas gerenciais feitas para gerenciar os aspectos culturais e sociais de cada ambiente. 3.3 - Gestão da mudança e os projetos de implantação de Sistemas de Informação Existe uma confluência entre os gestores e acadêmicos sobre as práticas para gestão da mudança. Inovação é, no sentido amplo, tudo que é feito nas organizações que altera de forma profunda os hábitos, costumes e processo desta organização. Até agora utilizou-se este termo neste capítulo tendo em vista que é amplo e ajuda a entender a questão em estudo sob a ótica social. Daqui para frente, utilizar-se-á o termo gestão da mudança uma vez que se trata de um aspecto que ocorre em todo processo de inovação que é a mudança dos hábitos. Entretanto, o foco será ajustado para as mudanças nas empresas, nas organizações que tem objetivos bem definidos e que são medidos através do crescimento do lucro ao longo do tempo. Assim, propõe-se dois métodos conhecidos para ampliação do entendimento sobre gestão da mudança: método Lewin e o modelo alternativo para gestão de mudanças. Método de Lewin De acordo com Shien (1993), o psicólogo Kurt Lewin que nasceu em 1890 na Prússia (hoje Polônia) emigrou em 1933 para os Estados Unidos fugindo da opressão nazista da segunda grande guerra. Ele conhecia muito bem os teoremas da Gestalt e da interação homem ambiente. Foi a partir da observação dos fenômenos sociais que Lewin trouxe grandes contribuições às comunidades organizadas o que despertou o interesse pelo trabalho em empresas. Estas souberam aproveitar suas propostas seguindo seus métodos. Lewin dizia que “Se você quer realmente entender alguma coisa, tente muda-la” e, como vimos até aqui, a inovação causada pelos sistemas de informação é uma mudança que pode alterar toda a empresa para pior ou para melhor. Página 18 de 29 Schien (1993) descreve com clareza as mudanças nas empresas através da análise das teorias de Lewin, principalmente a teoria de campo. Lewin define ‘campo’ como sendo a totalidade de fatos que coexistem que são concebidos para serem mutuamente interdependentes. Além disso, o termo ‘comportamento’ significa a situação de um indivíduo em sua totalidade. Para Lewin os indivíduos se comportam de acordo com o que ele chama de espaço de vida ou seja seu local de trabalho, sua família, amigos, escola ou mesmo organização religiosa. Schein (1993) procurou resumir o método de Lewin através de sete pontos como uma seqüência de ações para a gestão da mudança. São eles: a. Criar desconforto: quem acredita estar fazendo o que é correto e suficiente não procura e nem aceita uma mudança; b. Indução da culpa e da ansiedade pela sobrevivência: uma vez aceito e confirmado o desconforto é necessário induzir a ansiedade e a validação de que é necessário aprender algo novo que pode (e deve) ser oferecido; c. Criar a segurança de que o aprendizado levará a uma nova posição de conforto: uma vez oferecida a nova forma de fazer, deve ser dada também a segurança de que, se bem conduzido, haverá a recompensa ou seja uma nova a segura posição. Esta situação garante que enquanto estiver aprendendo haverá tranqüilidade eliminando a ansiedade anterior; d. Redefinição cognitiva: ao aprender o novo, o aprendiz deve entender o novo significado de algumas palavras, que alguns conceitos tem um entendimento mais amplo do que antes, que existem novos padrões de julgamento e avaliação. Uma forma prática de explicar este item é a comparação do conceito de trabalho e equipe versus o direito de cada indivíduo. Pode ser paradoxal mas este conceitos inicialmente parecem contraditório mas podem ser facilmente encaixados se for mostrada a nova noção de equipe em que o líder não exerce um comando e sim a coordenação do trabalho de vários indivíduos para a consecução de uma meta conhecida por todos; e. Identificar claramente qual será a nova regra: neste estágio temos um aprendiz seguro e convencido do que ele deve aprender. Entretanto é necessário ter uma mensagem segura sobre o que realmente deve ser aprendido. Se o processo de oferta do novo conhecimento for incorreto, é possível que a direção do processo siga para um resultado inesperado e ruim para as metas pretendidas. f. Aprender por tentativa e erro ou “esperar por uma idéia própria (o insight)”: o processo de aprendizado acontece de diversas formas – cursos, treinamentos, consultores, terapias entre outros mas é comum observar que o aprendizado acontece e se consolida através da prática ou seja da tentativa e dos erros já na execução da nova realidade. Ao trabalhar abertamente para aprender ocorre o que é considerada a boa idéia ou o Insight. O aprendiz considera esta idéia ou conhecimento como seu. g. Possibilitar a readaptação ao ambiente com os novos conhecimentos: deve ser garantida ao aprendiz que o ambiente ao qual ele retornará aceitará e permitirá o desenvolvimento dos novos conhecimentos. Um exemplo é ensinar a uma cozinheira a preparar carnes especiais em um ambiente em que comer diferentes tipos de carnes é comum e traze-la a sua comunidade onde não se costuma comer qualquer tipo diferente de carne. O aprendizado terá sido perdido. Página 19 de 29 A figura 5 mostra o processo Lewin de gestão da mudança em três grandes categorias que agrupam os sete passos descritos: Figura 5 – Processo Lewin de gestão da mudança Fonte: (SCHIEN, 1993). Segundo Schien (1993), na gestão das mudanças, o “Descongelamento”, deve ser feito através de criação do desconforto, da percepção de que o estágio atual de conhecimento não é mais suficiente para a manutenção do status do indivíduo. Abre-se a chance de iniciar o processo de mudança que deve seguir os passos 2 a 6 já descritos. No processo de mudança deve-se seguir as etapas como em um processo seqüencial e que a cada etapa siga-se uma avaliação da evolução que permita ao gestor o verdadeiro controle do processo e sinalize quando é necessário intervir. Finalmente chega o momento de consolidar todo o processo através do congelamento o que só acontecerá se o novo ambiente onde a o processo será inserido tenha sido preparado para receber a nova situação. Modelo alternativo para gestão de mudanças O método Lewin de Descongelar, mudar e Re-congelar tem sido adotado com sucesso em muitos processos da gestão da inovação. Entretanto, com as novas experiências adquiridas pelas empresas e organizações, percebe-se que o modelo pode assumir diferentes abordagens sem deixar sua essência. Esta proposição foi realizada por Orlikowski e Hofman (1997) através da comparação entre o navegador europeu e o navegador turco. O primeiro faz um plano detalhado para seu trajeto procurando manter-se dentro do mesmo com disciplina e tenacidade. À medida que mudanças acontecem o navegador europeu retorna ao seu plano original, refaz o plano integralmente ou pelo menos aquela parte que deve ser alterada e só então é que volta a navegar. Já o navegador turco apenas define onde quer chegar e responderá ao que vier do seu trajeto através da observação das marés, da direção dos ventos, da chuva e todos os sinais que venham a contribuir com o trajeto. Na gestão da inovação, em especial quando implanta-se sistemas de informação, observa-se que todos os modelos seguem a rígida regra do navegador europeu e podem ser comparados com o método da teoria de campo proposta por Lewin nos seu plano de três estágios. Orlikowski e Hofman (1997) propõem esta reflexão através do que chamam de “método da improvisação”. Pode parecer estranho em um texto acadêmico usar o termo improvisação mas o objetivo é trazer a flexibilidade do navegador turco aos métodos eficazes de planejamento e ainda combinar a observação social como uma das formas de aumento da eficiência. Desta forma, mostrase que ao longo de um projeto de inovação, diferentes oportunidades aparecerem e problemas novos evidentemente não planejados surgem exatamente como em qualquer viagem e a forma de encarálos deve ser a mais rápida possível. Para isso, desenvolve-se este modelo alternativo que busca adicionar ao modelo tradicional (leia-se Lewin) alguma flexibilidade através da gestão da mudança no tempo e da associação de três dimensões da mudança. Existem três tipos de mudanças identificadas pelo modelo alternativo, baseados em conceitos propostos por Mintzberg (1987): mudanças antecipadas, mudanças emergentes e mudanças baseadas em oportunidades. As mudanças antecipadas são aquelas previsíveis através do planejamento prévio Descongelar 1 Processo de mudança 2,3,4,5 e 6 Re-congelar 7 Página 20 de 29 e da experiência dos gestores. Um exemplo atual seria a implantação de um sistema de mensagens eletrônicas (E-mail) em que já se sabe como alterará a comunicação dentro de uma organização. Mudanças emergentes são aquelas que não se pode prever e que são percebidas somente após ao início do uso da tecnologia inovadora. O mesmo exemplo do sistema de mensagens eletrônicas pode ser usado quanto ao uso do sistema para disseminação de rumores e mensagens eticamente incorretas. Mudanças baseadas em oportunidades são aquelas que também não são previstas, mas que geram ganhos para a organização e são percebidas por causa do processo de inovação. Um exemplo clássico é o uso dos portais de venda pela internet que geram conhecimento adicional sobreos hábitos de compra de seus clientes permitindo o desenvolvimento de novas ofertas e novos produtos e ainda a segmentação dos mercados. Este novo enfoque não altera a seqüência proposta pelo método de Lewin, mas alerta para um novo e claro cenário que se abre diante das tecnologias inovadoras usadas tanto nos projetos de sistemas quanto na instalação de novos equipamentos de informática. Estas constatações mostram que os gestores de processos de mudanças baseados em inovação tecnológica devem se preparar para processos com elevado grau de imprevisibilidade. Como o navegador turco, ele deve estar preparado não só para os problemas, mas tanto e também para oportunidades que venham a trazer ganhos importantes para uma organização. Aliado a este modelo alternativo, Orlikowski e Hofman (1997) propõem um alinhamento entre das três dimensões da mudança. São elas: A tecnologia aplicada, o contexto organizacional incluindo a cultura, estrutura, regras e responsabilidades e o modelo de gestão da mudança adotado. O alinhamento proposto para estas três dimensões é mostrado na figura 6 a seguir. Figura 6 – Alinhamento das dimensões chave da mudança Fonte: Adaptado de Orlikowski e Hofman 1997 Este alinhamento permite efetuar recomendações quanto à aplicação deste modelo alternativo: • Na relação estrutura organizacional e modelo de gestão de mudança adotado, deve ser observadose a estrutura da empresa é flexível a ponto de permitir o uso do modelo alternativo. Caso a empresa tenha sua estrutura de controle burocrática e centralizada, o modelo tradicional deve ser o escolhido; Modelo de Gestão da Mudança Tecnologia Estrutura Organizacional Alinhamento das dimensões chave da mudança Página 21 de 29 • Na relação estrutura organizacional e tecnologia os gestores devem ter cuidado em nivelaratributos do sistema aos costumes e regras da empresa buscando não trazer choques desnecessários facilitando sua assimilação; • Na relação modelo de gestão da mudança e tecnologia a recomendação está na atenção para otipo de tecnologia que está sendo adotada. Tecnologias com grande demanda de ajustes que permitem discussão e adaptação aos negócios, demandarão maior flexibilidade o que indica o uso do modelo alternativo. Tecnologias fechadas podem seguir os modelos tradicionais pois não apresentarão tantas mudanças não planejadas. 4. CASOS DE IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA CADEIA DE SUPRIMENTOS Neste ponto do capítulo se apresenta os resultados de uma pesquisa realizada em duas empresas brasileiras que implantaram sistemas de informação para atividades da cadeia de suprimentos, assim como o resultado de pesquisas publicadas por Gilbert (2001) e Levinson (2002) sobre duas empresas americanas, também envolvidas com projetos implantação de sistemas de informação. A comparação destes dados possibilita uma melhor compreensão dos modelos teóricos estudados, assim como permite a construção de conclusões a respeito de práticas de gestão de mudanças em projetos de Sistemas de informação. 4.1 Metodologia Para avaliar o efeito dos modelos estudados, principalmente considerando a teoria da difusão, teoria método de Lewin e modelo alternativo de gestão de mudanças, realizou-se estudo de caso de projetos de inovação baseados na implantação de sistemas de informação para gestão da cadeia de suprimentos. De acordo com a definição de Yin (1984), um estudo de caso é uma pesquisa empírica que: investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes e múltiplas fontes de evidências são utilizadas. Muitos autores de metodologia de pesquisa científica concordam que o problema detectado é que condiciona o tipo de pesquisa, cabendo ao pesquisador a escolha do método que melhor se aplique. A escolha para este trabalho recaiu sobre a proposição da realização de um estudo exploratório, de natureza qualitativa, classificado como estudo de caso. Os recursos metodológicos empregados na pesquisa compuseram-se da delimitação do caso, via experiência dos autores deste capítulo na implantação de sistemas de informação para a cadeia de suprimentos, bem como de levantamento documental e, posteriormente, da coleta de dados. Para a delimitação do estudo de caso, utilizaram-se entrevistas não estruturadas. Entre os instrumentos de pesquisa empregados na coleta de dados, fez-se uso de questionários estruturados e entrevistas. Os questionários foram elaborados a partir dos mesmos atributos estudados por Gilbert (2001) nas empresas Pratt & Whitney e Levinson (2002) na empresa Allied Signal, que foram reunidos por Russell (2004). Através da tabulação dos dados coletados espera-se ter uma visão mais clara do uso destes modelos estudados em empresas norte-americanas e Brasileiras. As quatro empresas e seus projetos são apresentados a seguir. Página 22 de 29 A pesquisa foi realizada, utilizando-se basicamente entrevistas, durante o mês de Julho de 2007, com líderes que conduziram os projetos de implantação desde a sua justificação a alta direção até sua operação efetiva incluindo a fase de amadurecimento e medição dos resultados. A tabulação dos resultados foi realizada com o mesmo padrão apresentado por Russel (2004), onde se criou uma tabela para organização dos resultados apurados nas organizações norte-americanas. Esta mesma tabela foi adaptada de forma a incluir também os resultados das empresas brasileiras. Além disso, foram incluídas novas linhas à tabela com os resultados numéricos alcançados pelas empresas brasileiras com os projetos em questão. Estes dados, entretanto, não foram contemplados pela pesquisa de Russell (2004). Sobre as empresas que participaram das pesquisas pode-se dizer: Norte-americanas: A Pratt & Whitney e a Allied Signal. A Pratt & Whitney é uma tradicionalfabricante americana de turbinas para aviões comerciais e de defesa. Seu projeto trata da implantação de um sistema de recebimento de pedidos de peças novas e reformadas através do site de relacionamento com os clientes. A Allied Signal é uma grande fabricante americana de equipamentos eletrônicos usados principalmente na indústria bélica. Seu projeto era a implantação de um sistema de gestão do relacionamento com os clientes – CRM – provido pela Sibel. Brasileiras: A Cedro Cachoeira e a Magnesita. A Cedro Cachoeira: uma das mais antigasindústrias têxteis do Brasil (www.cedro.ind.br) ainda em operação com fábricas em 4 municípiosdo estado de minas gerais e distribuição em todo o mercado nacional e importante volume para exportação. A Cedro produz tecidos acabados e também semi-acabados e seu projeto tratou da gestão da cadeia de suprimentos através da implantação de um sistema de gestão e coordenação de todas as suas fábricas, o abastecimento de todas elas e a sincronização das suas ações. Além disso, a empresa também trabalho para a implantação de um sistema de gestão da demanda. Já a Magnesita é a maior fabricante de produtos refratários industriais na América do Sul (www.magnesita.com.br) e a quarta maior do mundo com 6 fábricas na cidade de Contagem,Minas Gerais e uma mina para extração de matéria prima na cidade de Brumado na Bahia. Seu projeto foi à implantação de um sistema de coordenação, planejamento e controle da produção de todas as fábricas. 4.2 Apresentação dos dados coletados Os resultados das entrevistas foram organizados na tabela 2 a seguir. Página 23 de 29 Fatores de difusão Allied Signal Pratt & Whitney Cedro Magnesita Vantagem Relativa: o novo sistema é melhor ou pior que o anterior? Melhor. Devido asfuncionalidades baseadas na Web, integração com o ERP e visibilidade de toda a cadeia no mesmo sistema. Melhor. Aumento deinformações aos clientes, facilidade para pessoal de serviços encontrar peças resultando em maior disponibilidade dos aviões. Melhor. O sistemaanterior era uma versão antiga e simplificada e incapaz de modelar toda a empresa. Além disso, não fazia gestão da demanda. Melhor.Anteriormente havia apenas uma sistemática manual sem nenhuma otimização. Compatibilidade: o novo sistema entrou em choque com os hábitos e costumes da empresa? Sim. A empresapregava que o cliente deveria ter apenas um ponto de contato para solucionar todo e qualquer questão. Sim. A empresanecessitava manter um padrão de atendimento aos clientes. Sim. Mas o novosistema demandou dos usuários muito mais informações sobre o processo. Isto foi encarado como uma oportunidade. Não. Por ser umsistema muito mais detalhado, os usuários demandaram muito mais tempo para adaptação. Percepção da Inovação Complexidade: os usuários consideraram o sistema complexo inicialmente? Não. Somente depoisdo treinamento é que o sistema foi bem compreendido pelos usuários. Não. O sistema foibem compreendido pelos gerentes do projeto mas isso causou apreensão aos gerentes Sêniores tornando-se uma barreira a adoção. Sim. Como o sistemaanterior modelava apenas uma parte da empresa e o novo sistema comportava modelos mais complexos, havia sim maior complexidade. Sim. Foramnecessárias ações intensas de treinamento formal em sala de aula e no chão de fábrica com intenso acompanhamento dos líderes. Centralização: a empresa decide de forma centralizada? Não. A empresaadota um formato de idéia central e ações locais. Não. As ações sãolocais e há participação de todos nos debates. Apesar disso, há uma coordenação central. Sim. Há pequenaparticipação dos níveis intermediários mas intenso debate nos níveis mais altos da empresa. Sim. Há entretantogrande debate sobre as ações e monitoramento do andamento dos trabalhos com distribuição de tarefas. Abertura à inovação A empresa adota técnicas oferecidas por outras empresas. No caso foi associada a Siebel, fabricante do sistema. Da mesma forma a empresa adota conhecimento de empresas e externas. No caso a E-spares e Space Works O Projeto foi conduzido por um time misto composto de pessoal interno e empresas de consultoria e do fabricante do sistema. A empresa tem seu próprio Centro de P&D e utiliza intensamente consultorias para seus projetos. Fatores da Organização Estrutura da organização: formatos da hierarquia e matriz O sistema foi desenvolvido através de pessoas chave na organização atuando junto com diversas áreas da empresa. O sistema foi justificado a alta direção através de usuários chave que coordenaram com as diversas áreas envolvidas a implantação assim como a idéia inicial. É uma estrutura hierárquica típica com diversos canais de comunicação cruzados que permitem maior rapidez na resposta ao mercado. O projeto foi conduzido no formato matricial Existem processos matriciais e outros em que predomina a estrutura hierárquica. O projeto foi conduzido no formato matricial. Canais de Comunicação Formalismo Sim. Encontrosformais liderados pelo gerente do projeto buscando identificar as características do sistema através da análise SWOT. Não. O processo de comunicação foi informal e não estruturado. Sim. Todo o processode comunicação foi formalizado e manteve ainda a cultura do contato pessoal entre os líderes e pessoas chave do projeto. Sim. Devido anecessidade de treinar um número elevado de pessoas e pela grande mudança nos hábitos, foram levadas grandes campanhas formais de comunicação através treinamento. Página 24 de 29 Intensidade Baixa com treinamentos formais e reuniões. Alta. Muitos recursos de treinamento com o objetivo de difundir as informações através da organização. Média. A avaliação pós- implantação reconsidera esta decisão. Teria sido melhor investir mais no treinamento do pessoal. Alta. Os recursos em treinamento foram os maiores que a empresa poderia alocar como já é da cultura da organização. Comprometimento Elevado. O Vice Presidente de Vendas esteve à frente de todo o processo usando a análise SWOT3.O Vice Presidente de Tecnologia esteve na liderança do projeto buscando a migração do sistema anterior para o novo sistema. O Diretor Executivo esteve à frente do projeto e conduziu as principais mudanças estratégicas junto com o Presidente da Empresa. Foi destacado um gerente do projeto mas que ao longo do projeto foi substituído em decisão da Diretoria. Esta mudança assim como o aumento do orçamento do projeto confirmou o comprometimento. Liderança Líderes Internos Sim. Líderes e especialistas na área de vendas foram motivados a apoiar o sistema. Não houve o destaque de líderes internos. Sim. Além do Diretor Executivo o Gerente de TI. Sim. Além do Gerente de Planejamento os Gerentes de Produção das fábricas e pessoal de vendas. Principal meta estabelecida Aumentar a visibilidade da empresa sobre toda a cadeia de suprimentos. Gerar mais informações para clientes e pessoal de suporte técnico sobre peças de reposição. Melhor o nível de atendimento dos clientes entregando a maior parte dos pedidos no prazo. Melhorar o nível de atendimento dos clientes Resultados Indicadores chave após 36 meses do projeto concluído não declarado não declarado Antes= 65% Após= 85% Antes= 60% Após 88% Tabela 2 - Adaptado de Russell 2004 e complemento da pesquisa realizada pelos autores em Jul/07. 4.3 Análise e discussão dos dados Os estudos mostraram que as empresas levaram muito mais tempo que o previsto para alcançar as metas previstas para os projetos. Uma das razões pode ser atribuída em primeiro lugar ao desconhecimento das condições necessárias para implantar sistemas de informação complexos como são os sistemas usados para gestão da cadeia de suprimentos. De forma similar às empresas americanas, as empresas brasileiras aplicaram as mesmas técnicas de comunicação, mesmo com estruturas organizacionais diferentes. O que sem dúvida foi fator de sucesso para os projetos em estudo. Apesar de serem menores que as empresas americanas as empresas brasileiras adotam estruturas de decisão mais rígidas o que ajuda a explicar o prazo de conclusão dos projetos muito mais longo. Desta forma, as estruturas organizacionais das empresas brasileiras são também menos flexíveis, principalmente considerando a forte cultura organizacional presente nas mesmas. 3 SWOT = em inglês quer dizer: pontos fortes (strenght), pontos fracos (wealnesses), oportunidades (opportunities) eameaças (threats). Página 25 de 29 Esta falta de flexibilidade pode ser por um lado considerada como um inconveniente, mas, avaliando o tipo de sistema que ambas buscaram implantar, sistemas analíticos para gestão da cadeia de suprimentos, observa-se que o grau de liberdade dos líderes dos projetos era bastante adequado e possibilitou o êxito com sucesso nos projetos. As empresas brasileiras mostraram maior empenho de suas lideranças na condução dos projetos. Na Magnesita, houve grande empenho do principal executivo responsável pelas operações da indústria, e na Cedro, houve envolvimento e comprometimento de toda a diretoria. Em ambos os casos percebeu-se nitidamente a necessidade do envolvimento e patrocínio da alta direção para o sucesso do projeto. A busca pelas metas dos projetos é um ponto de convergência entre os quatro projetos. O que deve ser destacado neste estudo é que a meta claramente estabelecida aos membros de um projeto de mudança é o ingrediente necessário para a etapa de descongelamento, a primeira do método tradicional de Lewin. Sem um entendimento claro destas metas o processo de mudança se torna extremamente complexo e arriscado. Os quatro projetos têm em comum o aproveitamento de oportunidades importantes para cada uma das empresas. Nos projetos estudados no Brasil, tanto a Magnesita quanto a Cedro demonstraram importantes oportunidades que foram implantadas em conjunto com os próprios projetos. Este estudo não tem o objetivo de dissecar estas oportunidades, mas sim, de salientar que na gestão de mudanças é fundamental estar aberto às oportunidades resultantes do processo e ter condições de explorá-las o mais rápido possível. Pode-se concluir que as quatro empresas – e em especial as brasileiras – mostram um elevado grau de adoção da nova tecnologia mostrando impacto em toda organização através das metas atingidas e do número de pessoas envolvidas. Inclusive, percebeu-se que a própria estrutura organizacional foi alterada para que as novas filosofias de trabalhado trazidas pelos sistemas de gestão da cadeia de suprimentos fossem efetivadas. Outro ponto muito evidente nos casos foi a participação dos usuários nos projetos de implantação. Considerando a implantação de sistemas de gestão da cadeia de suprimentos, normalmente, são poucos envolvidos diretamente nas atividades dos projetos. São projetos muito técnicos e exigem participação de profissionais com elevado nível de conhecimento sobre logística. Escolher profissionais que tenham visão “sistêmica” e que sejam profundos conhecedores do negócio é um ponto central nestes projetos. Nem sempre estes profissionais são gerentes. O processo de capacitação dos profissionais das organizações foi fator crucial para o sucesso dos projetos. Pelo relato das empresas, verificou-se que inicialmente a complexidade dos sistemas chegou a assustar os participantes. Entretanto, à medida que os profissionais envolvidos entenderam os fundamentos e entenderam como analisar os resultados do sistema para gestão da cadeia de suprimentos, os resultados começaram a aparecer. Percebeu-se que os sistemas voltados para a gestão da cadeia de suprimentos, em alguns casos, podem exigir muitos dados adicionais aos já existentes nos sistemas transacionais. Em uma das empresas estudadas, o sistema analítico exigia 2500 dados adicionais para cada novo produto inserido no planejamento avançado. Daí se observa a necessidade de mobilização que a empresa precisa dispor para que os sistemas sejam implantados. Página 26 de 29 Inicialmente, existiu dificuldade por parte das empresas em avaliar e entender os resultados iniciais dos softwares de gestão da cadeia de suprimentos, principalmente considerando o uso de otimização. Isto se justifica pelo volume de dados necessários e muitas vezes ainda não utilizados pelas empresas, e também pelo fato de que as empresa não estão acostumadas e não sabem bem que resultados que serão apresentados pela primeira rodada de otimização. Este fato aumenta significativamente a complexidade dos projetos e o esforço organizacional necessário para efetivação destes sistemas. Notoriamente não se obtém sucesso nestes processos de implantação sem a correta utilização de técnicas de gestão de projetos. Há necessidade de grande esforço na gestão das atividades de implantação e de consultoria especializada para o acompanhamento, justamente por se tratar de softwares com alta complexidade. Em mais de um caso estudado obteve-se grande sucesso com o aumento gradativo do uso das funcionalidades do software. Isto se mostra extremamente relevante para empresas que pretendem utilizar sistemas de gestão para a cadeia de suprimentos uma vez que o sucesso nestes casos, depende de uma mudança de cultura, que somente se concretiza com o tempo, envolvimento, capacitação e efetiva utilização do novo sistema. Considerando as empresas brasileiras, ambas perseguiram metas ousadas, baseadas em nível de serviço ao cliente. Os resultados apresentados foram extremamente interessantes e desafiadores. Além disso, percebeu-se que os projetos de sistemas de informação para a cadeia de suprimentos abriram caminho para outros projetos logísticos importantes para as organizações. 4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Sem dúvidas, sistemas de gestão da cadeia de suprimentos exigem mudança cultural, justamente por evidenciar a necessidade de entendimento e balanceamento de necessidades muitas vezes conflitantes dentro das organizações, como custo de produção, tamanhos de lotes, manutenção de estoques em processo, avanço de estoques na cadeia, custos de transporte, armazenagem e outros. O uso de otimização para a cadeia de suprimentos como um todo, pode trazer uma série de conflitos internos para as organizações, advindos principalmente da falta de hábito em utilização ampla da informação para planejamento na cadeia de suprimento. Ou seja, as empresas levam tempo para entender que precisam buscar resultados globais na cadeia de suprimentos em detrimento de decisões que tragam ganhos locais. Isto exige claramente uma mudança de cultura. As experiências estudadas mostram que tanto a implantação de sistemas ERP quanto de sistemas para analíticos para cadeia de suprimentos pode aproveitar das mesmas técnicas de gestão de projetos. As técnicas tradicionais comprovadas por vários anos de testes e ainda as novas técnicas, mais flexíveis e adequadas para as enormes exigências empresariais se somam para contribuir para o sucesso dos projetos. A observação das questões sociotécnicas fica mais clara sob a ótica dos modelos de gestão estudados, pois estes conferem aos projetos de implantação de sistemas de informação, maior participação dos envolvidos e uma comunicação mais eficaz, tornando o processo de mudança mais aceitável. Página 27 de 29 As principais recomendações apresentadas com relação a implantação de sistemas de informação na cadeia de suprimentos, são compartilhadas a partir do exposto por Russel (2004): • Adotar uma abordagem holística através do gerenciamento da comunicação e da difusão dasinformações do projeto; • Gerenciar percepções: para que os resultados sejam alcançados as pessoas devem ter umapercepção de todo o processo. Assim como a recomendação anterior a gestão de todo o processo de comunicação é fundamental para manter todas as percepções daqueles que utilizarão os sistemas implantados; • Construir e manter fortes redes de relacionamento institucionais: tanto as relações internasquanto as relações externas devem ser construídas e mantidas com rigor. As relações internas são aquelas entre os principais líderes da empresa e entre os grupos de decisão. Já as relações externas, no caso da cadeia de suprimentos, envolvem complexa relação com fornecedores e parceiros de negócio; • Equilibrar a gestão centralizada e ação local: manter uma Equipe de decisão central garante quetodas as ações serão otimizadas enquanto a ação local garante a rapidez e o fluxo das informações; • Construir e permitir que surjam lideranças tanto nos níveis elevados quanto nos níveisintermediários da organização. A capacidade de decisão rápida e ainda o entusiasmo com as mudanças será mais fácil se as lideranças estiverem mais próximas de onde se espera que aconteçam. 5. REFERÊNCIAS BAKER, Peter. HALIM, Zaheed. An exploration of warehouse automation implementations: cost, service and flexibility issues. Supply Chain Management: An International Journal, Volume 12, Number 2, 2007. Disponível em: www.emeraldinsight.com. Acessado em 19/06/2007. BALLOU, Ronald. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. Porto alegre: Bookman, 2001. BERMUDEZ, J. Advanced Planning and Scheduling: Is it as good as it sounds? The report on Supply Chain Management, March, 3-18. BERMUDEZ, J. Advanced Planning and Scheduling Systems: Just a fad or a breakthrough in manufacturing and Supply Chain Management?, The report on manufacturing, December, 16-19. BOWERSOX, Donald J; CLOSS, David J; COOPER,M. Bixby. Gestão logística de cadeias de suprimentos. Porto Alegre: Bookman, 2006. CHOPRA, Sunil; MEIDL, Peter. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Prentice Hall, 2003. CHOY, K. L.; LEE, W.B.; LO, V. Design o fan intelligent supplier relationship management system: a hybrid case based neural network approach. 2002. Disponível em: www.sciencedirect.com . Acessado em 19/06/2007. COHEN, Michael. What Impact Will Radio Frequency Identification (RFID) Technology Have on Supply Chain Management? Revista I2 – Supply Chain Leader, 2006. Disponível em www.i2.com . Acessado em dezembro de 2006.COLANGELO Filho, Lucio. Implantação de sistemas ERP (Enterprise Resources Planning). São Paulo: Atlas, 2001. CORRÊA, Henrique L. GIANESI, Irineu G. N. CAON, Mauro. Planejamento, programação e Controle da Produção. São Paulo: Editora Atlas, 2001. ECK, M. Van. Advanced planning and scheduling – Is logistics everything?. 2003. Disponível em: www.cs.vu.nl/obp/logistics/papers/vaneck.doc. Acessado em 19/06/2007. GILBERT, A. The promise of great efficiencies keeps buyers and suppliers plugging away, Informationweek.com, E-Catalogs: Long Journey to Rewards. No. 1, pp. 5-16. 2001. HELO, Petri; XIAO, You; JIAO, J. R.; A web-based logistics management system for agile supply demand network design. 2005. Disponível em www.emeraldinsight.com/1741-038X.htm. Acessado em 19/06/2007. HELO, Petri; SZEKELY, Bulcsu. Logistics information systems: An analysis of software solutions for supply chain. Industrial Management + Data Systems; 2005; 105, 1/2; ABI/INFORM Global pg. 5. Disponível em www.emeraldinsigth.com/0263-5577.htm . Acessado em 19/06/2007. HERMANN, J. W.; HODGSON, B. SRM: Leveraging the supply base for competitive advantage. Proceedings of the SMTA International Conference, Chicago, Illinois, 1 October, 2001.Puschmann, Thomas; ALT , Rainer. Successful use of e-procurement in supply chains. Supply Chain Management; 2005; 10, 2; ABI/INFORM Global. pg. 122 LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane Price. Sistemas de Informações. Rio de Janeiro: LTC, 1999. LEVINSON, M. Cleared for takeoff, CIO, 1 April, pp. 64-8. 2002. MINTEZBERG, H. “Crafting Strategy” Harvard Business Review, V65, 1987,pp 66-75. ORLIKOWSKI, W.J. e Hofman, J.D. An Improvisational Model for Change Management: The Case of Groupware Technologies. Sloan Management Review; Winter 1997; pp11. 1997. ROGERS, E.M. Diffusion of Innovations, 3rd ed., Free Press, New York, NY. 1995. RUSSELL, Dawn M.; HOAG, Anne M.. People Information Technology in the supply chain – Social and organizational influences on adoption. International Journal of Physival Distribution $ Logístic Management Vol. 34 No. 2,2004 pp 102-122. SCHEIN, E.H. (1993), How Can organizations Learn Faster? The Chalenge of Entering the Green Room. Sloan Management Review/Winter 1993. SCHEIN, E.H. Kurt Lewin's Change Theory in the Field and in the Classroom: Notes Toward a Model of Managed Learning. MIT Sloan School of Management. 1995.SHAPIRO,F. J. Business Process expansion to exploit optimization models for supply chain planning: the role of optimization in supply chain management. IMA Workshop, Slim Technologies, Wellesly, MA. Disponível em www.ima.umn.edu/talks/workshops/9-23-27.2002/shapiro/shapiro.pdf. Acessado em 19/06/2007. SIMCHI-LEVI, David; KAMINSKY, Philip; SIMCHI-LEVI, Edith. Cadeia de Suprimentos: Projeto e Gestão. Porto Alegre: Bookman, 2003. SOUZA, César Alexandre; SACCOL, Amorolinda Zanela (Organizadores); Sistemas ERP no Brasil: (Enterprise Resource Planning: Teoria e Casos). São Paulo: Atlas, 2003. TORNATZKY, L.G. and Klein, K.J. (1982), “Innovation characteristics and innovation adoption-implementation: a meta-analysis of findings”, IEEE Transactions on Engineering Management, Vol. EM-29 No. 1, pp. 28-45. VOLLMAN, Thomas E.; BERRY, Willian L.; WHYBARK, D. Clay; JACOBS, F. Robert. Sistemas de Planejamento & controle da produção para gerenciamento da cadeia de suprimentos. Porto Alegre, Bookman: 2006. YIN, Robert K. Case study reseach - design and methods. Beverly Hills: Sage Puclications, 1984. WILLIANS, L.R. and Rao, K. (1998), “Information technology adoption: using classical adoption models to predict AEI software implementation”, Journal of Business Logistics, Vol. 19 |
| Próximo > |
|---|