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Educação executiva fortalece habilidade de gerir mudanças E-mail
10 de dezembro de 2007
Cada vez mais, as empresas se dão conta de que a preparação de seus executivos é ferramenta essencial para a formação de sua gerência. O pressuposto básico desse raciocínio é o de que tal preparação pode melhorar a tomada de decisão dos gerentes por meio da criação e da transmissão de conhecimento — o que, por sua vez, tem um impacto positivo sobre o desempenho da empresa. A colaboração com profissionais e instituições externas, como escolas de negócios, consultores, coaches e agências de treinamento poderá repercutir positivamente sobre a performance da companhia, mas é preciso que tais recursos sejam empregados com o discernimento adequado.
Para garantir o sucesso do empreendimento, os responsáveis pela formação da liderança executiva devem atender a expectativas elevadas e contar com profissionais de formação excelente e do mais elevado nível acadêmico, com domínio na área de projeto de programas e no desenvolvimento de pesquisas de ponta a serem utilizadas em complementação ao material do programa proposto. Para que sejam realmente competitivos nesse segmento, é preciso que os responsáveis proporcionem, necessariamente, um impacto sobre o mundo real de todos os participantes.
Quatro temas ganharam destaque a partir de uma série recente de entrevistas realizadas com profissionais de empresas com vasta experiência em educação executiva (Allianz, Hitachi e Tetra Pak), além de profissionais de escolas de negócios de primeira linha e de consultorias que atuam no segmento de educação executiva (Wharton, Columbia, McKinsey, Mercer Consulting e Monitor Executive Education). As entrevistas tinham como objetivo captar o ponto de vista de usuários e responsáveis pela ministração de cursos na área de educação executiva.
O que querem os usuários
Os serviços solicitados pelos usuários compreendem o desenvolvimento de habilidades e competências, implantação de estratégias e condução do processo de mudanças.
Para os entrevistados, o principal valor proporcionado pelo recurso aos parceiros externos na área da educação executiva é a possibilidade de “condução da mudança”. Os encarregados do programa de educação executiva podem, de fato, criar a consciência da necessidade de mudanças estratégicas entre os executivos e, com isso, fortalecer sua habilidade de direcionar as mudanças ao retornarem à empresa. Cada vez mais, as empresas pedem aos provedores de formação executiva, bem como às empresas de consultoria, que ajudem a viabilizar as mudanças por meio do trabalho em parceria com os executivos mais experientes.
Contudo, muitos líderes de diferentes escolas de negócios vêem a si mesmos como educadores cujo objetivo principal é o de abrir a mente dos executivos, e não ajudar a implantar estratégias ou direcionar mudanças. A tendência mais recente nas escolas de negócios é a demanda de serviços diretamente relacionados à melhora do desempenho por meio da aceleração do desenvolvimento de capacidades ou pela garantia de fidelidade à estratégia adotada.
O aumento no nível de motivação dos executivos foi outra razão apontada para o recurso à educação executiva. Depois de participar do programa, os executivos deverão se sentir mais motivados para retornar ao trabalho com novas idéias. Além disso, o contato com pessoas com as quais não costuma interagir normalmente permite ao executivo ampliar e revitalizar sua rede pessoal de contatos corporativos. Pesquisadores de redes sociais sustentam há tempos que a densidade das redes de que participam os executivos e sua habilidade de atuar como ponte para outros fora do departamento ou da empresa tem influência direta sobre o indivíduo e, a longo prazo, sobre o desempenho da empresa.
O papel da pesquisa e da liderança de pensamento
A exigência atual de uma formação sólida para executivos é prova de que a pesquisa de aplicação prática deve ser cada vez mais customizada e posta em funcionamento. Desse modo, o elo entre o ensino dos elementos próprios da educação executiva e a pesquisa talvez devesse ficar mais claro nas escolas de negócios. Às empresas de consultoria caberia um maior empenho na difusão das lições aprendidas com a prática. Embora a concorrência entre as escolas tradicionais de negócios as obrigue a estruturar seu conhecimento e suas especializações de forma que sejam percebidos pelo cliente — cada vez mais exigente — como algo “prático”, é preciso que as consultorias se assegurem de que possuem o capital intelectual que permitirá a uma clientela específica recorrer a seus serviços. Além disso, é preciso reforçar também o recrutamento e a preservação de indivíduos capazes de pôr em prática experiências na área da educação executiva.
Resultados e conseqüências da educação executiva
Outro tema fundamental que emergiu das entrevistas refere-se à necessidade de mais investimento em tempo e em esforços para a avaliação dos resultados proporcionados pela educação executiva. Os conselhos das empresas questionam o gasto de montantes significativos de dinheiro com esse tipo de formação, e há uma necessidade óbvia de se medir o valor agregado de tais atividades. No que diz respeito à equipe e ao projeto, o valor agregado propiciado pela educação executiva pode ser mais facilmente mensurado, porém a criação e a transferência de conhecimento em nível individual continuam em boa medida inexplorados.
É preciso não negligenciar o fato de que os participantes do programa de educação executiva, se souberem que haverá um monitoramento para avaliação do sucesso do seu aprendizado, sem dúvida alguma procurarão aplicar o que aprenderam e, por conseguinte, dispensarão maior atenção ao seu desempenho no trabalho. Isso requer que os responsáveis pelo programa de educação executiva trabalhem em longas parcerias. O programa de acompanhamento dos resultados obtidos só será viável se essa atividade for parte constituinte da política da empresa.
Implicações e conjecturas
A pesquisa feita mostrou que os acadêmicos envolvidos no programa da educação executiva devem desenvolver a capacidade não apenas de aplicar sua própria pesquisa ao seu contexto pessoal e ao da empresa, mas também gerar conteúdo de pesquisa que tenha aplicação prática.
No momento de escolher entre diferentes provedores, o executivo deve deixar claro o que espera obter especificamente do programa a ser contratado. Escolas de negócios, consultorias, coaches e outros têm diferentes vantagens e desvantagens. As escolas de negócios desfrutam do benefício da abertura mental e da possibilidade de se concentrar na ampliação da complexidade cognitiva e comportamental dos participantes, o que permite aos executivos desenvolver novos modelos mentais ou ampliar seu repertório comportamental. Os consultores se beneficiam de lições aprendidas em eventos anteriores. Os coaches especializados no elemento comportamental trabalham basicamente no desenvolvimento da liderança. Toda escolha acarreta em trocas que talvez não se manifestem explicitamente na hora de optar entre diferentes tipos de provedores de educação executiva.
Os usuários de programas de educação executiva exercem, provavelmente, uma enorme influência na determinação da forma futura desse programas. Talvez o meio mais inteligente de usar esse tipo de programa consista em se apropriar do fenômeno da aprendizagem, em que os participantes “aprendem a aprender”, como conseqüência do trabalho em parceria com escolas de negócios por um tempo significativo, durante o qual aprendem a elaborar programas eficazes de mudanças.
Autores: Bettina Büchel e Don Antunes*
*Bettina Büchel é diretora dos programas de Liderança Estratégica para Mulheres (SL) e de Orquestração do Desempenho Vencedor (OWP). Don Antunes, é ex-pesquisador associado do IMD (International Institute for Management Development), instituto suíço de educação para executivos.
Fonte: Época Negócios, 18 de outubro de 2007.
 
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