Engenharia de Produção
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A Importância do Pensamento Crítico na Atuação do Engenheiro de Produção E-mail
28 de setembro de 2006
 

A Importância do Pensamento Crítico na
Atuação do Engenheiro de Produção

 

Prof. Cláudio Jorge Cancado

Faculdade Pitágoras

Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais - CETEC

 

 

Certo dia, folheando um livro nos raros momentos de descanso, observei uma frase que me chamou muita atenção: “Para o homem que sabe ver não há tempo perdido: o que para os outros seria tempo ocioso, para ele é tempo de observação”.(Alfred de Vigny, 1797 – 1863). Refletindo sobre esta frase, comecei a pensar na importância do pensamento crítico na Engenharia e, especificamente, na Engenharia de Produção.

 

Um profissional que deve comandar e ser comandado demanda certas habilidades que emergem a partir de duas situações: 1) faz parte da característica do profissional; 2) Tem sido forjada ao longo da vida do profissional. No caso específico do Engenheiro de Produção, o chão de fábrica apresenta, no dia-a-dia, situações novas e desafiadoras, permeando desde problemas relacionados ao processo de produção a problemas de cunho pessoal dos funcionários, todos eles influenciando direta ou indiretamente no resultado final esperado de um dia de trabalho. Logo, a complexidade de raciocínio e de compreensão por parte do Engenheiro de Produção deve ser estimulada e desenvolvida, tanto no âmbito do ambiente de trabalho, quanto no âmbito de sua formação acadêmica.

 

Tenho acompanhado discussões acaloradas sobre a importância das disciplinas ligadas à área de humanidades nos cursos de Engenharia. Confesso que, em um primeiro momento, a ligação das ciências humanas com as ciências exatas me pareceu um pouco obscura. Era de se esperar! A formação tradicional do Engenheiro se reveste de pensamentos lineares e exatos, o que contrasta com a capacidade subjetiva e dedutiva das ciências humanas. Entretanto, todo engenheiro se ressente na sua vida profissional da falta de preparo ao lidar com questões relacionadas ao ser humano. Estas questões que se apresentam ligadas às questões sociais e psicológicas são, a meu ver, um dos grandes desafios que o profissional da engenharia enfrenta em sua atuação nos mais diversos campos existentes.

 

Enfocando-se a Engenharia de Produção, esse ressentimento se apresenta mais latente, visto que a sua atuação está pautada diretamente no lidar com pessoas que atuam nos processos, as quais, em última análise, são responsáveis diretos pelos resultados e pela constante melhoria nos processos. Quando observamos as ferramentas utilizadas nos sistemas de gestão (qualidade, saúde e segurança, meio ambiente), vê-se claramente que o fator humano é um tema transversal que se apresenta fundamental em todas as etapas das metodologias propostas, permeando temas como motivação, conscientização, valorização, especialização, entre outras... Por que será?

 

Talvez seja pela simples constatação de que o homem ainda é o principal ator do processo, sendo sua atuação, fator decisivo entre o sucesso e o fracasso. Sendo assim, a formação do engenheiro de produção, peça fundamental na complexa engrenagem produtiva, deve focalizar tanto o cunho técnico, como o cunho sócio-ambiental. Dentro deste escopo, uma palavra é fundamental: pensamento crítico. O que isso significa? O que isso exige do profissional?

 

Visualizando a formação acadêmica, isso sugere que o aluno deve ser contestador em essência, buscando fortemente o porquê das coisas. Isso não significa que apenas possuir cadeiras de humanidades seja a solução para a formação do pensamento crítico. Ter acesso a estas cadeiras é importante, mas o que se fazer com o conhecimento que elas passam é o ponto chave. O desenvolvimento do pensamento crítico é doloroso, irritante e assustador, pois leva a pessoa a sair da posição cômoda de espectador e o coloca em rota de colisão com a realidade, fazendo-o ser, ao mesmo tempo, diretor e ator da comédia da vida, a partir do mundo de conhecimentos que vão sendo mostrados ao longo de sua formação. A leitura e a crítica são peças fundamentais desta engrenagem. A partir daí, erros e acertos começam a fazer parte do dia-a-dia, sendo instrumentos de inquietudes e dúvidas que levam ao sentimento do não saber. A necessária “visão do todo” é construída quase despercebida, através dos tropeços e acertos pelo caminho. Assim, o caminho que se apresenta, em um primeiro momento, se mostra sinuoso e cheio de pedras, mas, ao mesmo tempo, abre grandes perspectivas de crescimento e maturidade que serão as bases para uma estrada profissional cheia de alegrias e grandes realizações.

 

Visualizando a vida profissional, isso sugere uma única palavra: competência. As empresas buscam cada vez mais profissionais capazes de tomar decisões rápidas a partir da análise da realidade que se apresenta. Esta característica não é construída da noite para o dia, pois a capacidade de resolução de problemas que permeia a técnica e o trato com o ser humano exige preparo e capacidade de discernimento cada vez mais crescente. A pergunta que fica é: Como se desenvolve essa capacidade? A resposta é simples: exercitando o pensamento crítico no dia-a-dia, aprendendo com os erros e acertos, e valorizando, acima de tudo, o ser humano como instrumento transformador da realidade.

 

Uma frase para reflexão: “Somos o reflexo daquilo que realmente importa: nossa consciência”. Assim, faz-se necessário um cuidado todo especial com a formação crítica do ser e do cidadão, a partir do discernimento do “certo” e do “errado”. Esta é a base do que chamamos de sabedoria. Aproveite cada instante de sua vida, tire lições do que é bom e do que é ruim, busque visualizar o que está por trás das coisas, procure desenvolver a visão do todo dentro do ambiente em que você vive e dedique-se cada vez mais a ser um profissional e um cidadão cada vez mais completo.

 
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