Índices de Capabilidade do
Processo (Cp, CpK)
Responsáveis: Daniel
Capaldo Amaral; Henrique Rozenfeld
Conceitos Basicos
Fontes: IQA(1997) (vide informações
adicionais)
Introdução
Os índices e taxas que medem a capabilidade, ou seja, a capacidade de um
dado processo fabricar produtos dentro da faixa de especificação, surgiram dos
estudos sobre Controle Estatístico de Processo (CEP) realizados pelo Dr. Walter
Shewhart do Bell Laboratories na década de 20. Seu surgimento se confunde com o
próprio nascimento da área de qualidade. É que o trabalho inicial realizado
no Bell Laboratories foi a base das principais técnicas e ferramentas que
fariam nascer nas empresas americanas os departamentos de qualidade durante a
segunda guerra.
Outro subproduto destas técnicas
foi também o surgimento da American Society for Quality Control - ASQC (hoje
denominada ASQ) . Acontecimento que também é
um marco no nascimento da área de estudo e de atuação profissional de
qualidade. Assim, o Controle Estatístico de Processo é uma das
ferramentas mais clássicas na área de qualidade e com certeza uma das mais
comprovadas e empregadas no meio prático. Desde seu surgimento tem sido
aplicada aos mais diversos processos, situações e regiões em todo o mundo. Há
também um grande conhecimento acumulado sobre sua aplicação, principais benefícios
e restrições.
O objetivo do controle estatístico
do processo é aprimorar e controlar o processo produtivo por meio da identificação
das diferentes fontes de variabilidade do processo. Utilizando conceitos de
estatística procura-se separar os efeitos da variabilidade causada pelas
chamadas Causas Comuns , ou seja, àquelas inerentes à natureza do
processo produtivo, das Causas Especiais , ou àquelas derivadas da atuação
de variáveis específicas e controláveis sobre o processo. A técnica é
composta de uma ferramenta principal denominada Gráficos de Controle que
permite identificar se o processo está sob controle estatístico, situação em
que atuariam somente causas comuns.
O controle estatístico é
implantado por meio de um ciclo em que coleta-se dados do processo, monitora-se
sua situação (verificando se o mesmo permanece sob controle estatístico) e
posteriormente realizam-se análises e propostas de melhorias para atingir
patamares melhores de desempenho. Os índices de capabilidade podem ser
obtidos diretamente dos dados registrados nas cartas de controle e medem, para
um processo sob controle estatístico, a relação entre a faixa de tolerância
especificadas para uma dada característica de projeto do produto e a
variabilidade natural do processo produtivo destinado a obtenção daquela
característica (a variabilidade devida as causas comuns). Se a variabilidade do
processo é muito maior ultrapassando os limites de especificação é possível
estimar a probabilidade de produção de peças fora da especificação. Se esta
probabilidade é muito alta pode-se inferir que o processo não é capaz de
produzir àquela característica mesmo que peças conformes possam estar
sendo obtidas. Mudanças significativas neste processo ou mesmo a adoção de
processos alternativos podem então ser necessárias para tornar este processo
capaz estatisticamente.
Estes índices são de extrema
importância para o profissional que trabalha no desenvolvimento de produto por
duas grandes razões. Nas fases iniciais de projeto, a avaliação de séries
históricas dos índices de capabilidade obtidos de peças similares pode
permitir que os processistas e projetistas escolham processos e especificações
dos produtos coerentemente adequadas, garantindo a obtenção de características
do produto por meio de processos altamente capazes estatisticamente. Outra
importante aplicação destes índices no desenvolvimento de produto é durante
a homologação do processo. Nesta etapa os índices podem ser utilizados para
avaliar a capabilidade do processo, identificando processos problemáticos à
tempo de correções antes da entrada em linha de produção.
Índices e Taxas de
Capabilidade de Processo
Abaixo apresenta-se os índices de capabilidade apresentados por IQA(1997).
Além destes existe uma grande quantidade de índices propostos na literatura
para as mais diversas aplicações.
Índices
Capabilidade (Cp) (Conhecido como Capabilidade de Máquina)
: Definido como o intervalo de tolerância
dividido pela capabilidade do processo, ou seja, 6 vezes o desvio padrão
estimado considerando a ausência de causas especiais. Ele é independente da
centralização do processo o desvio padrão é estimado considerando processos
estáveis;

Desempenho (Pp):
Intervalo de tolerância dividido pelo desempenho do processo, ou seja, pelo
desvio padrão estimado pelas leituras individuais. Também independentemente da
centralização.

Superior de
Capabilidade (CPU) : variação superior da tolerância dividida
por 3 vezes o desvio padrão estimado pela capabilidade do processo.

Inferior de Capabilidade (CPL):
variação inferior da tolerância dividida pela dispersão superior real do
processo.

Capabilidade (Cpk): é o índice que leva em conta a centralização do
processo e é definido como o mínimo entre CPU e CPL.
Taxas
Taxa de Capabilidade (CR):
é inverso de Cp. É igual a 1/Cp;
Taxa de Desempenho (Pp): é o inverso de Pp. É igual a 1/Pp;
Etapas básicas para a medição
de Capabilidade de Processo
São basicamente duas as etapas para a condução de um estudo de
capabilidade do processo:
1. Verificação do Controle
Estatístico do Processo: nesta etapa são preparados os gráficos de
controle para a coleta de dados (sem os limites) e estes são entregues para a
produção. Estes dados são então levantados e a partir de uma análise gráfica
(ou mesmo utilizando testes estatísticos) verifica-se a existência de causas
especiais atuando no processo. Se existirem causas especiais atuando deve-se
identificá-las e eliminá-las até que o processo esteja sobre controle estatístico.
2. Avaliação dos Índices:
uma vez garantido o controle estatístico do processo identifica-se todos os
dados que compõem o período sobre controle do processo. Estes dados são então
utilizados para a geração dos índices.
Análise da Capabilidade de
Processo na FIM
No processo de
desenvolvimento de produto da FIM o estudo de capabilidade do processo é
utilizado durante a fase de homologação do produto. Emprega-se para os cálculos
uma ferramenta computacional. (Clique
aqui para alguns resultados)
Glossário
Estes itens do glossário são parte do glossário
do manual de Controle Estatístico do Processo (CEP) da QS 9000, que é
extremamente interessante e detalhado. São apresentados aqui definições dos
conceitos principais:
- Aleatoriedade:
uma condição na qual os valores individuais não são previsíveis, apesar
deles poderem vir de uma distribuição definível;
- Amostra:
nome dado ao subgrupo, ou seja, um ou mais eventos ou medições utilizados
para analisar o desempenho de um processo;
- capabilidade de
processo: faixa total de variação inerente de um processo estável;
- Carta de controle:
uma representação gráfica de uma característica de um processo,
mostrando os valores de alguma estatística obtida daquela característica,
uma linha central, e um ou dois limites de controle;
- Limites de Controle:
uma linha ou linhas em uma carta de controle utilizada como uma base para
julgar a estabilidade do processo. A variação além de um limite de
controle é evidência de que causas especiais estão afetando o processo.
Limites de controle são calculados a partir dos dados do processo e não
devem ser confundidos com as especificações de engenharia;
- Causa Comum:
fonte de variação que afeta todos os valores individuais do resultado do
processo sendo estudado; na análise da carta de controle ele representa
parte da variação aleatória do processo;
- Causa Especial:
fonte de variação que é intermitente, freqüentemente imprevisível e
instável às vezes chamado de causa assinalável . É sinalizado a partir
de um ponto além dos limites de controle ou uma seqüência ou outro padrão
não aleatório de pontos dentro dos limites de controle;
- Controle Estatístico:
condição descrevendo um processo do qual todas as causas especiais de
vatiação tenham sido eliminadas, restando apenas as causas comuns, i.e., a
variação observada pode ser atribuída a um sistema constante de causas
ocasionais; evidenciada numa carta de controle pela ausência de pontos além
dos limites de controle e pela ausência de padrões não-aleatórios ou
tendências dentro dos limites de controle;
- Desempenho de
processo: faixa total da variação global do processo (6?s);
- Desvio-padrão:
uma medida da dispersão do resultado do processo ou a dispersão de uma
estatística amostral do processo (ex. de médias de subgrupos); denotado
pela letra grega ? (sigma), ou a letra s (padra desvio padrão da amostra);
- Processo Estável:
processo sob controle estatístico;
Informações Adicionais
Para os principais periódicos, ferramentas veja os mesmos que DOE e
Taguchi
Referências Bibliográficas
IQA . Fundamentos de controle estatístico de processo
CEP. 1997. (Existem muitos livros sobre este assunto mas este
manual, que faz parte da documentação da QS 9000, é bastante didático e traz
uma explicação detalhada sobre os pontos fundamentais sobre este assunto. É
recomendado para quem deseja aprender sobre CEP com o intuito de aplicação.Caso
esteja interessado apenas em obter uma visão geral sobre este assunto
deve-se consultar um bom livro texto introdutório sobre estatística para
engenharia ou negócios.)
Sites Relacionados
Veja os mesmos que
DOE .
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