ECM - Engineering Change
Management
Responsável : Sergio de
Souza Aguiar Carvalho ; Henrique Benedetto Neto
Conceitos Básicos
Fonte: vide informações adicionais
Introdução
O processo de desenvolvimento de produtos vem sendo alvo de inúmeras
melhorias, como conseqüência direta da disputa pelo mercado. As empresas lutam
para serem as primeiras a colocar seus produtos e para atender mais prontamente
e a uma variedade maior de necessidades dos clientes. Este fato e a necessidade
de se incorporar novas tecnologias a produtos cada vez mais inovadores, fazem
com que mudanças do produto não possam ser evitadas e a capacidade de
incorporar mudanças transformou-se em arma poderosa.
Definições
Modificação de Engenharia
Modificação de engenharia é
qualquer alteração em uma peça ou conjunto existente no produto, e que afete
a forma, interface ou função do mesmo.
Observe que a definição é tão
geral que não faz distinção entre uma simples revisão e um projeto
totalmente novo.
Os motivos para uma modificação
de engenharia incluem a correção de erros de projeto, melhorias na fabricação
ou montagem das peças, melhorias que se tornam necessárias pela ação da
concorrência e alterações exigidas pelos clientes.
O projeto de produtos se
comporta de forma evolucionária e até mesmo a melhor engenharia não seria
suficiente para desenvolver um item que não requisitasse modificações durante
o seu ciclo de vida. Todavia, as mudanças devem ser gerenciadas para minimizar
rupturas ao processo de desenvolvimento de produto (Bedworth, 1990).
"Engineering Change
Management" (ECM)
Gerenciamento de modificações de engenharia é o processo que estabelece
como as modificações de engenharia são encaminhadas, autorizadas,
solucionadas, avaliadas, aprovadas e liberadas para serem introduzidas na produção
(seja de protótipos como de série).
O processo de modificação de
engenharia é considerado um problema de primeira ordem no processo de
desenvolvimento de produto (Barkan, 1992). Portanto, é necessário que seja
desenvolvida uma investigação profunda das modificações, suas fontes e os
possíveis meios de gerenciamento. Esse processo é tão importante que foi
sugerido por Barkan como sendo um essencial item de controle para medição da
eficácia de toda operação de projeto - abrangendo desde a concepção até a
implementação detalhada do mesmo. As conseqüências das modificações de
engenharia podem afetar funções além das de engenharia e causar danos
no planejamento e execução em virtualmente todos os segmentos do projeto em
execução.
Processo de ECM
Algumas propostas de processo de ECM foram apresentadas ao longo dos anos
(Benedetto, 1999; Carvalho, 1999; Balcerak, 1992; Smith, 1985; DiPrima, 1982;
Huge, 1977) descrevendo, uns mais e outros menos, a preocupação com a integração
das funções do ciclo de desenvolvimento. Na maioria das propostas, a preocupação
está em garantir a integridade da informação já em estágios avançados de
desenvolvimento.
O modelo descrito a seguir está
sendo implementado na indústria automotiva e tem como preocupação, inserir o
processo de ECM já no início do ciclo de vida do produto, ou seja, na etapa de
projeto onde o comprometimento com o custo total do projeto é estabelecido e
onde há, atualmente, uma deficiência de formalismo para tratar deste assunto.
Organização
O processo de ECM incorpora algumas novas funções na
organização dos projetos:
- Originador do Pedido de
Modificação de Engenharia (PME)
- Comitê de Controle de
Modificações de Engenharia
- Gerente de Modificações de
Engenharia
- Coordenador do PME
- Avaliadores de PME
Originador do Pedido de Modificação de Engenharia
Qualquer pessoa ligada ao
desenvolvimento do produto pode iniciar o processo emitindo um Pedido de
Modificação de Engenharia para apresentar um problema.
Comitê de Controle de
Modificações de Engenharia (CCM)
As reuniões de avaliação de
PMEs podem se tornar mais produtivas se adotados dois tipos de comitê de
modificações.
O CCM I seria responsável pela:
- Pré análise do PME
(aceitando ou rejeitando-o)
- Identificação de todas as
áreas envolvidas na solução do PME
- Classificação e priorização
da solução do PME
- Revisão final do PME
- Assinatura e fechamento do
PME
E o CCM II para:
- Analisar a solução do PME e
o seu impacto (custos, prazos, peso, etc.), e aprová-la
- Definir a efetividade do PME
e da Ordem de Engenharia (OE)
- Autorizar a execução das
modificações de projeto
CCM I é constituído de representantes da
Engenharia, Produção, Integração de Projeto e o Gerente de Modificações de
Engenharia.
O CCM II, além destes, tem ainda representantes da Controladoria, de Compras,
de Marketing e de Suporte ao Produto.
Gerente de Modificações
de Engenharia
É um membro especial do CCM.
Coordena um pequeno grupo com as seguintes atribuições:
- Verificar se o PME está
corretamente preenchido e completo
- Endereçar o PME para o seu
coordenador
- Acompanhar os prazos de execução
do PME
- Produzir relatórios estatísticos
e de status para o CCM
- Preparar a agenda e moderar
as reuniões de CCM
Coordenador do PME
O coordenador do PME é responsável
por:
- Coordenar a solução do PME
nos times de engenharia
- Solicitar as avaliações do
PME
- Preparar o PME para
encaminhar ao CCM
Avaliadores de PME
São responsáveis por:
- Avaliar a solução do PME
identificando todo o seu efeito.
Descrição do Processo
Modificações de engenharia são iniciadas através da emissão de um PME
por qualquer pessoa ligada ao desenvolvimento do produto.
Figura1 _
Processo de ECM
O PME é encaminhado ao CCM I
que pode rejeitar ou aceitar o pedido. Aceito, ele é classificado e priorizado.
Nesta etapa também é definido o Coordenador do PME.
O pedido é solucionado pelos
Times de Engenharia envolvidos, que realizam estudos em CAD e as análises
necessárias: “Finite Element Analysis” (FEA), de interferências e distâncias
mínimas em mock-up digital (DMU), ergonomia, etc.
A solução é encaminhada aos
avaliadores que investigam todo o impacto da modificação. É estimado o novo
custo do produto, o novo peso, os novos prazos para desenvolvimento. Nestas
avaliações são envolvidos os fornecedores e parceiros afetados, seja por
modificação de peças ou de ferramentais.
Concluídas a solução e as
avaliações, o PME é apresentado ao CCM II que pode aprovar, solicitar
nova solução ou encerrar o PME se este não for mais aplicável.
O PME aprovado tem sua
implementação planejada, com a definição da sua efetividade.
Alguns PMEs que alteram as mesmas peças ou
conjuntos e que podem receber a mesma efetividade são reunidos em uma Ordem de
Engenharia (OE).
A OE é o documento usado para a
definição de todas as peças e desenhos afetados pela modificação de
engenharia, e usado para a liberação destes dados para a produção.
Planejada, a modificação passa
a ser executada pelos projetistas. O responsável pela documentação prepara a
estrutura do produto (BoM) para receber os modelos de CAD que os projetistas estão
criando ou revisando.
O responsável pela documentação
verifica e libera os desenhos e demais documentos revisados e criados. Todos
estes dados são armazenados nos arquivos adequados. Empresas que ainda não
utilizam sistemas de PDM mantém arquivos centrais com os originais assinados
dos desenhos de produto, e se utilizam de arquivos distribuídos de cópias,
geralmente em microfilmes.
Os PMEs e a OE correspondente são
encaminhados para o CCM I para
Formulários de PME e de OE
O PME pode conter os seguintes campos:
- Preenchidos pelo originador:
identificação do originador, a descrição do problema, uma sugestão de
solução
- Pelo CCM I: classificação,
prioridade, coordenador, assinaturas e datas
- Pelo Coordenador do PME:
descrição da solução
- Pelos avaliadores: alterações
de custos, peso, prazos, etc.
A OE pode compreender os campos:
- Preenchidos pelo engenheiro
ou projetista responsável: identificação do engenheiro/projetista, descrição
da modificação, tabela de peças afetadas, assinaturas e datas
- Pelo CCM II: prioridade da
implementação na produção, efetividade, assinaturas e datas.
Novo Número de Peça ou Revisão
Ao se modificar uma peça ou conjunto deve-se decidir entre usar um novo número
de peça ou criar uma revisão do antigo número. Normalmente, quando a peça
modificada e a anterior não são intercambiáveis, a peça modificada recebe um
novo número. Sendo intercambiáveis, aplica-se uma revisão ao desenho da peça
ou, na própria peça, caso se use um sistema de gerenciamento de dados de
produto.
O mesmo critério deve ser
aplicado nas próximas montagens em que a peça modificada aparece na estrutura
do produto, revisando ou re-identicando os conjuntos.
Muitas vezes, os efeitos de uma
modificação são propagados para outras peças, pertencentes a outros
conjuntos (em outros ramos da estrutura do produto) por estarem próximas ou
terem interfaces. Neste caso, estas peças e suas próximas montagens podem ser
revisadas ou re-identificadas também.
Se a peça modificada é montada
em um componente aplicável a vários produtos (e a estruturas de produto
diferentes) deve-se avaliar os efeitos em todos estes produtos.
Efetividade
A efetividade de uma modificação de engenharia
define a partir de e até quando ela é válida.
Pode ser definida ou por datas ou por números de série (ou lote).
Usando-se datas, a peça
substituída recebe uma data de fim de efetividade, que é o último dia em que
pode ser usada no produto. A partir desta data, a peça antiga deve ser substituída
por uma nova que recebe a mesma data como a de seu início de efetividade.
Efetividades definidas por números
de série, determinam os lotes, ou produtos acabados, que serão afetados pela
modificação de engenharia, independentemente do tempo.
Os módulos de produção dos
sistemas de “Enterprise Resource Planning” (ERP) usam a estrutura de produto
e as efetividades para explodir as ordens de fabricação planejadas e definir
as necessidades brutas até o nível de peças individuais.
Benefícios
O sucesso dos negócios é muito influenciado pela
forma que a informação é liberada do projeto e engenharia para a produção,
e como as modificações são processadas pelo departamento de engenharia (Kooy,
1986). As empresas cobram das áreas de projeto e engenharia o
desenvolvimento dos melhores produtos, liberados no menor tempo possível para a
produção. A implementação efetiva de sistemas de ECM garante informações
de engenharia acuradas e atualizadas, disponibilizadas a todas as áreas. Um
processo formal de ECM deve reduzir:
- atrasos causados pela cópia
e distribuição da informação entre departamentos,
- a possibilidade que
diferentes departamentos estejam usando diferentes versões da informação,
- o tempo despendido na coleta
de documentos e arquivos de diferentes locais.
Um processo otimizado de ECM
garante a integridade e a velocidade nas trocas de dados de engenharia. Assegura
que os sistemas de ERP usem um arquivo mais acurado de BoM. Erros nas estrutura
de produto podem causar a compra de componentes que não são mais necessários,
assim como não comprar os componentes certos, resultando tanto em excesso como
em falta de estoque. Além disso, a maior velocidade no processo de modificações
ajudará as empresas a responder muito mais rápido as mudanças das condições
de mercado.
Falhas no gerenciamento de
modificações de engenharia resultam na introdução não controlada de novos
projetos e modificações, que podem levar a deterioração dos objetivos
corporativos, considerando o tempo para atingir o mercado e aumento considerável
na taxa de retrabalho, de perda de material e de geração de projetos
desatualizados (Maull, 1992).
A operacionalização de um
Comitê de Controle de Modificações é fator de integração entre as
diferentes áreas participantes e contribui para a prática de Engenharia Simultânea.
Quando Iniciar o Processo
Formal
As primeiras empresas a instalar sistemas de MRP, logo perceberam a
necessidade de adotar um processo formal de ECM na fase de produção do ciclo
de vida do produto. Mas, durante a fase de projeto, o papel do comitê de
controle de modificações era delegado ao engenheiro responsável pelo projeto,
o PME não existia, e a OE era emitida a partir da primeira liberação para a
produção.
O uso de mock-up digital e de
sistemas de PDM estão levando à formalização de um processo de ECM já
durante a fase de projeto (Carvalho, 1999). Neste caso, o processo pode ser
implementado a partir da aprovação da concepção do produto, adotada como
ponto de partida para a emissão de PMEs.
Estabelecendo uma comunicação
eficiente entre os engenheiros de projeto e as demais funções envolvidas no
desenvolvimento o uso de um processo formal de ECM na fase de projeto reduz o
ciclo e o custo de desenvolvimento e eleva a qualidade do produto. Além disso,
estabelece uma “base line” dos dados requeridos para FEA, DMU, construção
e teste de protótipos. Assegura também que toda modificação seja
adequadamente analisada e estabelece um banco de dados de histórico de projeto.
Durante a fase de projeto, as
decisões do CCM são dirigidas para atender os planos de construção e teste
de protótipos.
Informações Adicionais
BALCERAK, K.J. and DALE, B.G.
(1992), “Engineering Change Administration: The Key Issue”,
Computer-Integrated Manufacturing Systems, Volume 5, 125-132.
BARKAN Philip, (1992). “Productivity
in Process of Product Development - An Engineering Perspective”.
Integrating Design and Manufacturing for Competitive Advantage - Vol. 1, 56-58
BEDWORTH, David D., HENDERSON,
Mark R., WOLFE, Philip M., (1990). “Computer Integrated Manufacturing”
- McGraw-Hill International Edition - Vol. 1, 599-610.
BENEDETTO NETO, H., TRABASSO, L.
G. (1997). “Proposal of a framework for efficient management of the
engineering change (EC) process”. XIV Congresso Brasileiro de Engenharia
Mecânica, Baurú, SP, Brasil.
BENEDETTO NETO, H., TRABASSO, L.
G. (1999). “Identification of Factors that Affect ECM - Engineering Change
Management”. ICED99 - International Conference on Engineering Design, 12th
Conference, Munich, Germany.
CARVALHO, SERGIO de S. A.
(1999). (debis humaitá IT Services Latin America) “Engineering Change
Management in the Product Developmenr Phase, an Industrial Case Study”.
European Concurrent Engineering Conference, Erlanden-Nuremberg, Germany
DIPRIMA, M.R. (1982),
“Engineering Change Control and Implementation Considerations”,
Production and Inventory Management, 81-87.
HUGE, E.C. (1977), ‘‘Engineering
Change Control’’, APICS - American Production & Inventory Control
Society - 20th Conference Proceedings, Volume 1, 81-93.
INSTITUTE OF CONFIGURATION
MANAGEMENT (1996). “Change Boards and Change Administration”.
KOOY, C. (1986). "Expectations
of future production strategies taking into account rapidly advancing technical
developments". First European
Congress on Technical Production Management,
Stuttgart, Germany.
MAULL, Dr. ROGER, Prof. HUGHES,
DAVID and BENNETT, JAN (1992)."The role of the bill-of- materials as a
CAD/CAPM interface and the key interface of engineering change control.",
Computing & Control Engineering Journal, March.
SMITH, D.A.(1985), ‘‘Establishing
a Successful Engineering Change Management Procedure’’, APICS –
American Production & Inventory Control Society - 28th Conference
Proceedings, Volume 1, 24-25.
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