BOM (Bill of Material)
Responsável: Christiano B.
M. de Oliveira ;Prof. Henrique Rozenfeld
Conceitos Básicos
Fonte: Dissertação de mestrado de Oliveira 1999 (vide
informações adicionais)
Importância da BOM
A BOM, ou estrutura de produto é uma das informações
fundamentais da manufatura, pois nela registram-se as informações de produtos
utilizadas por todos os setores e processos envolvidos com a manufatura do
produto.
Seu domínio é essencial para o
sucesso da implantação de sistemas integrados. Apesar do desempenho desses
sistemas estar vinculado à qualidade das informações que eles manipulam, a
maioria das empresas não garante que suas informações fundamentais sejam
completas e precisas. As informações fundamentais muitas vezes não são
estruturadas e gerenciadas de acordo com o tipo de negócio e produto.
A falta de qualidade das informações
fundamentais tem sido resumida por meio da expressão “garbage in, garbage
out”, ou seja, se os processos da empresa estão manipulando informações sem
qualidade, consequentemente os resultados alcançados por esses processos também
estarão comprometidos.
A BOM é também um elemento que
gera integração uma vez que suas informações são compartilhadas por quase
todos os departamentos da empresa. Logo, a forma como é gerenciada, controlada
e estruturada pode diretamente influenciar o sucesso da empresa. Uma empresa
almeja ser de classe mundial deve possuir BOMs sólidas, representando os
processos e produtos, em sintonia com as estratégias do negócio.
É importante destacar ainda a
importância da BOM como sendo o ponto mais comum para interface ou integração
entre os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) e PDM (Product Data
Management) e entre os sistemas ERP e CAD (Computer Aided Design) possibilitando
assim o fluxo e a consistência das informações.
Apesar da sua importância,
GARWOOD (1995) afirma que a BOM tem sido o “calcanhar de Aquiles” da maioria
das empresas de manufatura, as quais sempre esbarram nas seguintes questões: o
meu produto tem diversos opcionais e alternativas, como conviver com o grande número
de estruturas de produto necessárias? Como a estrutura de produto pode refletir
diferentes estratégias de estoque? Como conviver com mais de uma estrutura de
produto? Quem é o “dono” da estrutura de produto? Como simplificar a
estrutura de produto? Como aumentar a precisão das informações?
Definição
Segundo definiu a AMERICAN PRODUCTION AND INVENTORY
CONTROL SOCIETY (APICS), em 1992, a estrutura de produto (BOM - bill of
material) é uma lista de todas as submontagens, componentes intermediários,
matérias-primas e itens comprados que são utilizados na fabricação e/ou
montagem de um produto, mostrando as relações de precedência e quantidade de
cada item necessário.
CLEMENT et al. (1992)
acrescentam que, além desses objetos, a BOM também pode conter outros, tais
como, instruções de trabalho ou ferramentas requeridas para suportar o
processo de manufatura.
Através da BOM é estabelecida uma relação
pai/filho entre um item e seus componentes diretos.
Tipos de BOM e seus elementos
BOM simples / padrão
(flattened / standard BOM)
A BOM mais simples possível é a de dois níveis, um
com as matérias-primas e itens comprados, e outro com o produto final. A única
razão para a criação de mais níveis são as necessidades do planejamento e
controle da produção (PCP), como por exemplo a criação de submontagens ou
itens intermediários que precisam ser estocados (GARWOOD, 1995). Uma BOM de vários
níveis é a estrutura mais conhecida, também, chamada de BOM padrão.
Item fantasma e pseudo item e
(phantoms and pseudo items)
Itens fantasmas são aqueles produzidos no processo de
manufatura, possuindo “pais” definidos, porém não são tipicamente
estocados. Apesar de existirem fisicamente, são rapidamente consumidos como
componentes do item de nível imediatamente superior na BOM.
Um pseudo item é um coleção
artificial de componentes que são agrupados para propósitos de planejamento.
Ao contrário dos itens fantasmas, entretanto, os componentes do pseudo item não
podem ser manufaturados juntos para produzir um item pai que exista fisicamente.
Por essa razão os pseudo itens nunca possuem inventário.
BOM Molular e de Planejamento
(modular and planning BOM)
A modularidade é a capacidade de se construir um
produto ou processo complexo a partir de subsistemas menores (chamados módulos),
os quais podem ser projetados independentemente e ainda assim funcionar juntos
como um todo.
Se um produto possui muitas opções
de escolha de itens, o número de combinações possíveis torna-se muito
grande, dificultando a previsão de vendas e o planejamento mestre de produção
de cada item final. Além disso, se for mantida uma BOM para cada configuração
diferente do produto, o espaço requerido pode ser muito grande, envolvendo
altos custos de armazenagem e manutenção.
A solução para este problema
é a utilização da BOM modular. Ao invés de se manter uma BOM para cada
produto final possível dentro de uma família, são identificadas as opções
para cada um dos seus componentes, as quais são organizadas em módulos. Essa
análise deve ocorrer no nível de menor variação na configuração, reduzindo
assim o número de itens manipulados na previsão de vendas e no planejamento
mestre de produção. A BOM utilizada neste caso é considerada a BOM de
planejamento, onde definem-se porcentagens de cada item de menor variação de
configuração.
Outra razão para utilizar a BOM
modular acontece nos casos em que o lead time de manufatura é maior do que o
lead time de entrega aceito pelo consumidor. Nesses casos, a modularização
pode suportar a implantação da estratégia de estoque assemble-to-order,
reduzindo o tempo entre a entrada do pedido do cliente e a entrega. A previsão
de vendas é feita no nível dos módulos, os quais são fabricados e estocados.
Quando ocorre um pedido do cliente, a configuração desejada é produzida
utilizando-se os módulos previamente preparados.
BOM genérica (generic BOM)
A estrutura de produto genérica é uma aplicação do
conceito de BOM modular para as atividades de vendas técnicas e controle de
configurações, assim como a BOM de planejamento é uma aplicação para previsão
de vendas e planejamento mestre da produção.
Aplicações para a configuração
de produtos são uma extensão natural do conceito de BOM modular. Ao invés de
módulos predefinidos, com os usados na BOM modular, o configurador pode
utilizar algoritmos, regras e condicionais para selecionar e calcular os
componentes de um produto e seus requisitos de manufatura.
Segundo VAN VEEN & WORTMANN
(1987), assim como uma BOM específica descreve exatamente um produto, a BOM genérica
descreve uma variedade de produtos (conceito de BOM modular). A BOM genérica não
pode ser utilizada diretamente para propósitos de planejamento e manufatura.
Ela é apenas um frame para a criação de BOMs específicas no momento necessário,
geralmente durante a entrada do pedido do cliente.
BOM de manufatura
(Manufacturing BOM)
BOM de manufatura representa a integração lógica da
estrutura de produto e do plano de processo. A seqüência de operações é
especificada e a cada operação são associados os itens necessários da BOM. A
BOM de manufatura é usada como um guia para fabricação e montagem de um
produto, sendo que seus níveis refletem o fluxo de produção e pontos de
estoque.
Estrutura de Produto para
Informação (Information Bill of Material)
As estruturas de produto para
informação são relatórios padrões gerados pelos sistemas de informação
para suportar análises diversas sobre a BOM e seus itens. Segundo GUESS (1985)
e SCHLUSSEL (1995), os principais formatos de BOM para informação são:
- Estrutura de produto
“indentada” (indented bill of material): é uma representação
alternativa à estrutura gráfica, sendo mais fácil de ser gerada pelos
sistemas computacionais. Os níveis mais altos da BOM são colocados na
extrema esquerda da margem e seus componentes são colocados sucessivamente
para a direita à medida que se vai descendo ao longo dos níveis. Se um
componente é utilizado em dois ou mais itens, ele aparecerá abaixo de cada
um de seus itens pais.
- Estrutura de produto de onde
é usado (where-used bill of material): pode ser no formato de nível
simples ou multinível. No primeiro tipo são mostrados todos os itens pai
nos quais o componente é usado diretamente. No segundo tipo são mostrados
todos os itens pai nos quais o componente é usado direta ou indiretamente,
isto é, até o produto final, através de uma técnica chamada implosão
- Estrutura de produto custeada
(costed bill of material): é uma extensão do formato “indentado” no
qual o custo de cada item é mostrado numa coluna à direita da descrição.
- Estrutura de produto matriz
(matrix bill of material): é um gráfico utilizado para identificar os
componentes comuns dentro de uma família de produtos ou famílias
similares.
- Estrutura de produto resumida
(summarized bill of material): uma forma de BOM de um nível na qual são
listados todos os componentes necessários para a produção do item com
suas quantidades. Difere do BOM “indentada” porque não são mostrados
os níveis de montagem e os componentes aparecem apenas uma vez com a
quantidade total necessária.
Variações da BOM e BOM única
Como os diferentes usuários da BOM possuem diferentes
necessidades, tornou-se uma prática comum que cada um deles estrutura-se a sua
própria BOM de acordo com essas necessidades individuais.
Os exemplos mais comuns de BOM
departamental são a BOM criada pela engenharia (E_BOM - Engineering Bill of
Material), e a BOM utilizada pelo PCP e pela manufatura (P_BOM - Production Bill
of Material ou M_BOM - Manufacturing Bill of Material). A E_BOM, também chamada
estrutura de desenho, representa os sistemas funcionais do produto. Já a P_BOM
é elaborada a partir da E_BOM, e reflete a transformação da matéria prima e
a montagem dos subconjuntos através do processo produtivo.
Essa abordagem implica,
entretanto, na redundância de informações, e consequentemente no risco de
inconsistência, bem como no aumento do esforço e do tempo de resposta das
manutenções (GARWOOD, 1995).
Devido aos problemas
apresentados, diversos autores, como CLEMENT et al. (1992), GARWOOD (1995) e
WASSWEILER (1996), consideram que toda empresa deve perseguir o objetivo de ter
uma estrutura de produto única que forneça múltiplas visões para suportar as
necessidades de todos os usuários. Objetivo esse que é totalmente compatível
com o estágio atual de desenvolvimento da tecnologia de informação.
GARWOOD (1995) observa que apesar do PCP ser o
maior usuário da BOM e o que exige maior precisão das suas informações, ele
não é o seu “dono”. Segundo WASSWEILER (1996), nesse novo cenário a BOM
passa a ser responsabilidade de todos os seus usuários.
Informações adicionais
AMERICAN PRODUCTION AND INVENTORY CONTROL SOCIETY.
Dictionary. (1992). 7.ed. Falls Church, American Production and Inventory
Control Society.
CLEMENT, J.; COLDRICK, A. SARI,
J. (1992). Manufacturing data structures: building foundations for
excellence with bills of material and process information. Atlanta, Oliver
Wight. 1992. ( Disponível na biblioteca da EESC - USP ).
GARWOOD, D. (1995). Bills of
material: structured for excellence. 5.ed. Marietta, Dogwood. (t:822).
GUESS, V. C. (1985). APICS
training aid: bills of material. Revised edition, Falls Church, American
Production and Inventory Control Society.
OLIVEIRA, C. B. M. (1999).
Estruturação, identificação e classificação de produtos em ambientes
integrados de manufatura. São Carlos, 1999. Dissertação (Mestrado) –
Escola de Engenharia de São Carlos - USP. ( Disponível na biblioteca da EESC -
USP ). (t:782)
ROZENFELD, H.; OLIVEIRA, C. B.
M.(1998) Estruturação e Identificação de Produtos em Ambientes Integrados. Máquinas
e Metais, n. 392, p. 100-119, set. (t:796)
SCHLUSSEL, B. (1995).
Principles of product structuring: how to get the most of your bill of material.
In: APICS ANNUAL INTERNATIONAL CONFERENCE, Orlando, 1995. Proceedings.
Falls Church, APICS. p.101-103.
VAN VEEN, E. A.; WORTMANN, J. C.
(1987). Generic bill of material in assemble to order manufacturing.
International Journal of Production Research, v.25, n.11, p.1645-1658.
(t:828).
WASSWEILER, B. (1996). How to
achieve and maintain bill of material accuracy. APICS ANNUAL INTERNATIONAL
CONFERENCE, New Orleans, 1996. Proceedings. Falls Church, APICS. p.57-59.
Sites relacionados
APICS http://www.apics.org/
Instituição educacional dedicada ao estudo de
gerenciamento de recursos. O site contém artigos sobre o assunto.
ICM http://www.icmhq.com/
Site dedicado especificamente à Configuraton
Management. Apresenta aplicações relacionadas à Bill of Material.
AIMASOFT http://www.aimasoft.com/
Fornecedor de soluções que garantem a integração na engenharia, tendo um
produto de BOM
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