Benchmarking
Responsável: Sergio Luis
;Prof. Henrique Rozenfeld
Conceitos Básicos
Fonte: CAMP, R.C. (vide informações adicionais)
Introdução
Benchmarking é a busca pelas melhores práticas que
conduzem uma empresa à maximização da performance empresarial. Uma definição
formal dada por David T. Kearns da Xerox Corporation afirma que “Benchmarking
é o processo contínuo de medição de produtos, serviços e práticas em relação
aos mais fortes concorrentes, ou às empresas reconhecidas como líderes em suas
indústrias”.
O processo genérico de
benchmarking pode ser dividido em duas partes, práticas e métricas. As práticas
são definidas como os métodos que são usados; as métricas são o efeito
quantificado da instalação das práticas. O benchmarking deve ser abordado
investigando-se inicialmente as práticas da indústria. As métricas que
quantificam o efeito das práticas podem ser obtidas ou sintetizadas em seguida.
O benchmarking é portanto uma compreensão de práticas e depois sua quantificação
para mostrar seu efeito numérico.
Baseando-se no exemplo da Xerox,
pioneira na aplicação do Benchmarking, fica evidente a necessidade de realizar
esta atividade de forma bem mais ampla do que comparar operações internas da
empresa, ou apenas preocupar-se em desmontar máquinas ou produtos físicos de
concorrentes, em um benchmarking de atividades de fabricação. É necessário
preocupar-se também em realizar benchmarking de processos de negócios tais
como a manutenção, a distribuição, o desenvolvimento de produtos, etc, que
diferente de se ter algo físico para desmontar requer que métodos e práticas
sejam detalhados e depois comparados com o ambiente externo. Fica claro também
que o benchmarking pode levar a compreensão da posição de um
concorrente, mas não à criação de práticas superiores àquelas da concorrência,
que só será obtida pela descoberta das melhores práticas, onde quer que elas
estejam (outros tipos de organizações e não somente os concorrentes).
A realização do benchmarking
passa por cinco fases genéricas:
- Planejamento das investigações
de benchmarking, buscando-se responder a três perguntas: O que deve ser usado
como marco de referência? Com quem ou o que iremos comparar? Como serão
coletados os dados? Enfatiza-se mais uma vez que o importante é reconhecer que
o benchmarking é um processo não só para obter metas métricas quantificáveis,
mas também, e mais importante, para investigar e documentar as melhores práticas
da indústria, as quais irão permitir que essas metas sejam atingidas;
- Análise, envolvendo uma
cuidadosa compreensão das práticas correntes dos processos da empresa,
bem como dos parceiros, afinal o processo de benchmarking é uma análise
comparativa. Aquilo que se deseja é uma compreensão do desempenho interno, a
partir da qual se possa avaliar as forças e fraquezas: Os parceiros de
benchmarking são melhores? Por quê? Quanto? Quais das melhores práticas já
estão em uso ou previstas? Como as práticas deles podem ser incorporadas ou
adaptadas para implementação?
- Integração, é a fase em que
busca-se incorporar novas práticas à operação. As descobertas do
benchmarking precisam ser comunicadas a todos os níveis organizacionais para se
obter apoio, comprometimento e senso de propriedade. É preciso demonstrar, de
forma clara e convincente, que elas são corretas e se baseiam em dados
concretos e obtidos de diversas fontes.
- Ação, as descobertas do
benchmarking e os princípios operacionais nelas baseados devem ser convertidos
em ações específicas de implementação. Além disso, é preciso que haja
medições e avaliações de realizações periódicas. Os progressos em direção
aos pontos de referência devem ser reportados a todos os funcionários;
- Maturidade, será alcançada
quando as melhores práticas da indústria estiverem incorporadas a todos os
processos da empresa e quando o benchmarking se torna uma faceta permanente,
essencial e autodesencadeada do processo gerencial.
A criatividade na execução
destas cinco fases genéricas irá diferenciar os resultados que cada empresa
obterá na realização do benchmarking. O benchmarking pode beneficiar uma
empresa de diversas maneiras:
- possibilita que as melhores práticas
de qualquer indústria (concorrentes ou não) sejam incorporadas de forma
criativa aos processos da empresa;
- pode proporcionar estímulo e
motivação aos profissionais cuja criatividade é exigida para a execução e
implementação das descobertas da investigação;
- pode ocorrer também de as
pessoas serem mais receptivas a novas idéias e à sua adoção criativa quando
estas não se originaram necessariamente na sua própria indústria;
- pode também identificar, em
outras indústrias (de outros ramos de negócios), avanços tecnológicos que não
seriam reconhecidos e, portanto, não aplicados no próprio setor;
- finalmente, os envolvidos no
processo de benchmarking muitas vezes constatam que os contatos e interações
decorrentes do benchmarking têm valor inestimável para o futuro crescimento
profissional.
Guia de leitura das informações
adicionais
O livro de Camp (1993) foi a principal referência
utilizada para a montagem do texto introdutório sobre benchmarking desta
homepage. Portanto, no livro encontra-se apresentado de forma muito mais
detalhada os conceitos e discussões aqui expostos e principalmente as cinco
fases genéricas para a realização do benchmarking, desdobradas em passos de
execução com instruções detalhadas e apresentação ilustrativa de casos de
empresas.
O artigo de Elmuti et. al.
(1997), faz uma boa revisão geral sobre o processo de aplicação do
benchmarking e suas implicações para o melhoramento contínuo e a vantagem
competitiva. Analisa também os benefícios, limitações, custos, implementação
e aspectos éticos e legais da aplicação do benchmarking.
No livro de Fuld (1993), há uma
exposição de métodos práticos e ferramentas para a monitoração de
concorrentes, baseando-se em fontes de informação disponíveis tanto fora como
dentro da própria empresa. Além disso sugere formas de se organizar e
armazenar informações sobre os concorrentes e transmiti-los para os responsáveis
pelas decisões na empresa.
Outra obra bastante conhecida
sobre benchmarking é o livro de Spendolini (1993), que apresenta um modelo genérico
do benchmarking, apropriado para qualquer organização, propondo-se um conjunto
de ações que um indivíduo, grupo ou uma organização pode seguir para
estabelecer seu próprio processo de benchmarking. Divide-se em três partes: a
primeira abordando os fundamentos do benchmarking, a segunda apresentando cinco
estágios práticos para a realização do benchmarking, e a terceira expondo
recomendações de especialistas em benchmarking das melhores práticas.
Por fim, nos sites do The
Benchmarking Exchange e do International Benchmarking Clearinghouse pode-se
encontrar textes atualizados e diversos artigos com casos práticos sobre o
tema.
Informações adicionais
CAMP, R.C. (1993) Benchmarking, o caminho da
qualidade total. São Paulo: Pioneira. (disponível na Biblioteca da Engenharia
da EESC - USP)
ELMUTI, D.; KATHAWALA, Y.;
LLOYED, S. (1997) The Benchmarking Process: Assessing Its Value and
Limitations. Industrial Management, p. 40 – 50, July-August. (t:583)
FULD, L. (1993)
Administrando a Concorrência. Rio de Janeiro: Record.(disponível na
Biblioteca Comunitária da UFSCar)
SPENDOLINI, M.J. (1993)
Benchmarking. São Paulo: Makron Books. (disponível na Biblioteca
da Engenharia da EESC – USP)
Sites Relacionados
IBC-International Benchmarking Clearinghouse e
APQC-American Productivity & Quality Center (1999)
http://www.apqc.org
The Benchmarking Exchange and
Best Practices Homepage (1999) http://www.benchnet.com/index.htm
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