Estratégia Competitiva
Responsável : Prof. Alceu Alves Filho DEP-UFSCar
Conceitos Básicos
Fonte : livros ANSOFF, I ; COUTINHO, L.G.; FERRAZ, J.C; FISHMANN, A.;
ALMEIDA, M.I; MONTGOMERY, C.A.; PORTER, M.E; OHMAE, K; PORTER, M.E; PRAHALAD,
C.K.; HAMEL, G; QUINN, J.B.; MINTZBERG, H.; JAMES, R.M .(vide informações
adicionais)
Introdução
Estratégia competitiva é o conjunto de planos, políticas, programas e ações
desenvolvidos por uma empresa ou unidade de negócios para ampliar ou manter, de
modo sustentável, suas vantagens competitivas frente aos concorrentes. Para
Ohmae (1983), “... Sem competidores não haveria necessidade de estratégia, pois
o único propósito do planejamento estratégico é tornar a empresa apta a ganhar,
tão eficientemente quanto possível, uma vantagem sustentável sobre seus
concorrentes. ...”. Para Porter (1985), “A estratégia competitiva visa
estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam
a competição industrial.” (pág. 1)
O nível de competitividade alcançado
pela empresa ou unidade de negócios depende de fatores sistêmicos, estruturais
ou empresariais, segundo Coutinho e Ferraz (1994), relacionados,
respectivamente, às condições macroeconômicas, político-institucionais,
regulatórias, infra-estruturais e sociais do país onde a empresa está instalada,
às características do mercado, da concorrência e da configuração da indústria ou
setor econômico em que a empresa atua e à capacidade gerencial e operacional da
própria empresa. Cabe notar que, embora os dois primeiros conjuntos de fatores
refiram-se a condicionantes externos à empresa, o posicionamento estratégico
desta - e portanto suas decisões e ações - é que irá definir o impacto de tais
oportunidades e ameaças do ambiente externo em seu desempenho. Segundo
Montgomery e Porter (1998), o desafio enfrentado pela gerência consiste em
escolher ou criar um contexto ambiental em que as competências e recursos da
empresa possam produzir vantagens competitivas.
Quanto aos fatores estruturais
relacionados à competitividade das empresas, Porter (1985) indica que cinco
forças determinam a dinâmica da competição em uma indústria: a entrada de novos
concorrentes, a ameaça de substitutos, o poder de barganha dos clientes, o poder
de barganha dos fornecedores e a rivalidade entre os concorrentes atuais. “A
pressão coletiva destas cinco forças determina a habilidade das firmas em uma
indústria de ganhar, em média, taxas de retorno sobre o investimento em excesso
ao custo de capital. A pressão das cinco forças varia de indústria para
indústria e pode se modificar quando a indústria evolui. ...” (pág. 4).
As empresas em geral podem adotar
três tipos de estratégia competitiva, segundo Porter (1980): estratégia de
liderança em custos, estratégia de diferenciação e estratégia de foco. A
primeira visa obter vantagens competitivas pela oferta de produtos e serviços
(em geral padronizados) a custos mais baixos do que os concorrentes. A segunda
busca alcançar vantagens pela introdução de um ou mais elementos de
diferenciação nos produtos e serviços, que justifiquem preços mais elevados. E o
terceiro tipo de estratégia objetiva obter vantagens competitivas ou pela oferta
de produtos e serviços com menores custos, ou pela diferenciação dos mesmos, mas
em um segmento de mercado mais localizado ou restrito.A estratégia competitiva
de uma empresa será desdobrada em geral em estratégias funcionais como as
estratégias de marketing, de produção, financeira e tecnológica, buscando-se
compor um todo coeso e harmônico de planos e ações que propiciem a aquisição de
vantagens competitivas pela melhoria dos processos de negócios ou de elementos
na “cadeia de valor” (Porter, 1985) da empresa.
A estratégia competitiva inclui os
objetivos de mais longo prazo da empresa ou da unidade de negócios que serão
repassados às estratégias funcionais. E, em geral, está baseada em competências
acumuladas durante período de tempo relativamente longo.
Por isso, a menos que grandes
transformações ocorram no ambiente, alterações abruptas ou radicais na
estratégia competitiva da empresa não devem ser esperadas. Assim, mesmo que não
tenha sido formalizada ou divulgada, a parte mais visível da estratégia
competitiva efetivamente implementada por uma empresa - refletida nos produtos e
serviços que fornece - dificilmente não será identificável por profissionais que
estudam o ramo de atividade em que esta se insere. A parte menos visível da
estratégia, e talvez mais importante, diz respeito às competências que a empresa
vai construindo e que fundamentarão vantagens competitivas no futuro.
A estratégia competitiva adotada
fica assim caracterizada pelo modo com que a empresa atende seus clientes. Como
destaca Ohmae (1998), a estratégia será boa quando possibilitar entender melhor
as necessidades dos clientes e criar valor para eles. Segundo Porter (1985), a
vantagem competitiva advém do valor que a empresa cria para seus clientes em
excesso ao custo que tem para criá-lo.
O planejamento estratégico, ou a
formulação da estratégia competitiva, é, portanto, essencial para a empresa,
pois esta dificilmente poderá criar condições, simultaneamente, para responder a
todas as demandas (necessidades), de todos os possíveis segmentos de mercado.
Dificilmente, também, poderá instantaneamente mudar drasticamente as condições
de atendimento ou “pular” de um segmento de mercado para outro. Assim, o
planejamento estratégico propicia que a empresa identifique em que direção
predominante pretende mover-se, orientando as competências (que vai acumulando e
adquirindo) para as oportunidades que surgem no mercado de criar valor para seus
clientes atuais e potenciais. A longo prazo, segundo Prahalad e Hamel (1998), a
competitividade resulta da capacidade de formar competências que propiciam
produtos e serviços que não podem ser antecipados.
Informações Adicionais
Livros
ANSOFF, H. I. (1988). The new corporate strategy. Rev. Ed. of:
Corpogate strategy.1965. New York: Wiley. ( Disponível na biblioteca da FEA
).
COUTINHO, L. G.; FERRAZ, J. C.
(1995). Estudo da competitividade da indústria brasileira. 3. ed.
Campinas: Papirus. ( Disponível na biblioteca da EESC - USP ).
FISHMANN, A. A.; ALMEIDA, M. I. R.
(1995). Planejamento estratégico na prática. São Paulo: Atlas.
(Disponível na biblioteca da ESALQ).
MONTGOMERY, C. A.; PORTER, M. E.
(1998). Estratégia: a busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro:
Campus. ( Disponível na biblioteca da FFLCH ).
OHMAE, K. (1983). The mind of
strategist. Harmondsworth. Peguin Books.
OHMAE, K. (1998). Voltando à
estratégia. In: MONTGOMERY, C.A.; PORTER, M.E. Estratégia: a busca da
vantagem competitiva. Rio de Janeiro, Campus. ( Disponível na biblioteca da
FFLCH ).
PORTER, M. E. (1998). Como as
forças competitivas moldam a estratégia. In: MONTGOMERY, C. A. PORTER, M. E.
Estratégia: a busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus. (
Disponível na biblioteca da FFLCH ).
PORTER, M. E.; (1985). Competitive advantage. New York: Free Press. ( Disponível na biblioteca
da FEA ).
PORTER, M. E.; (1980).
Competitive strategy. New York: The Free Press. ( Disponível na
biblioteca da EESC - USP ).
PRAHALAD, C. K.; HAMEL, G.; (1998).
A competência essencial da corporação. In: MONTGOMERY, C. A. PORTER, M. E.
Estratégia: a busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro:
Campus. ( Disponível na
biblioteca da FFLCH ).
QUINN, J. B.; MINTZBERG, H.; JAMES,
R. M.; (1988). The strategy process: concepts, contexts, and cases.
Englewood Cliffs: Prentice-Hall. (Disponível na FEA - USP).
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